O pietismo foi um movimento cristão que ganhou força entre os luteranos da Alemanha no fim do século 17. Sua preocupação principal era simples: não basta conhecer a doutrina cristã; é preciso viver de acordo com ela.
Naquela época, alguns pastores percebiam que pessoas podiam defender os ensinamentos da Bíblia e, ainda assim, dar pouca atenção à oração, ao amor ao próximo e à maneira como viviam. Um dos líderes mais conhecidos do movimento, Philipp Jakob Spener, incentivou os cristãos a ler a Bíblia juntos, participar mais ativamente da vida da igreja e colocar a fé em prática no dia a dia.
Essa preocupação tem fundamento bíblico. Tiago ensina que não devemos apenas ouvir a Palavra de Deus, mas também praticá-la (Tiago 1:22). Paulo, por sua vez, explica que as boas obras não são o meio de conquistar a salvação: somos salvos pela graça de Deus, mediante a fé, e criados em Cristo para fazer o bem (Efésios 2:8-10). Assim, uma vida transformada não substitui a fé em Jesus; ela é uma consequência dessa fé.
O pietismo influenciou cristãos de outras tradições e ajudou a espalhar a prática de pequenos grupos de estudo bíblico e oração. Mas nem todo movimento antigo de reforma da igreja deve ser chamado de pietista. Jan Hus, por exemplo, viveu séculos antes do pietismo alemão. Ele também queria mudanças na igreja, mas pertencia a outro contexto histórico.
Há ainda um cuidado importante: o desejo de viver uma fé sincera é bom, mas pode ser mal compreendido se a pessoa começar a medir sua relação com Deus apenas pelo que faz ou sente. A Bíblia chama o cristão tanto a confiar em Cristo quanto a obedecer a ele.
Em poucas palavras, o pietismo procurou lembrar à igreja que a fé cristã não deve ficar só nas palavras ou nas ideias. Ela deve aparecer na oração, no estudo da Bíblia, no amor e nas escolhas de cada dia.