A Bíblia não condena a farmácia nem o uso de remédios. A dúvida aparece porque uma palavra grega traduzida como “feitiçaria”, *pharmakeia*, tem a mesma origem de palavras como “farmácia” e “farmacêutico”. Mas palavras da mesma família não têm necessariamente o mesmo significado. Pra entender o que a Bíblia está dizendo, precisamos olhar o contexto.
Em Gálatas 5:19-21, Paulo inclui a *pharmakeia* entre práticas contrárias à vontade de Deus, logo depois da idolatria. No Apocalipse, palavras dessa mesma família aparecem ligadas ao pecado e ao engano (Apocalipse 9:20-21; 18:23; 21:8; 22:15). Por isso, “feitiçaria” é uma tradução apropriada nesses textos. Eles falam de uma prática condenada, não do trabalho de preparar e fornecer medicamentos.
No mundo antigo, substâncias podiam ser usadas em práticas de feitiçaria. Isso ajuda a entender a ligação entre as palavras, mas não significa que toda ocorrência de *pharmakeia* na Bíblia esteja falando especificamente de drogas. Também não seria correto reduzir a feitiçaria bíblica ao uso de substâncias químicas. Os textos não explicam em detalhe como cada prática mencionada era realizada.
E quanto aos remédios? A própria Bíblia mostra pessoas usando meios de cuidado sem condená-las por isso. Na história do bom samaritano, por exemplo, óleo e vinho são usados no tratamento das feridas de um homem (Lucas 10:34). Paulo também aconselha Timóteo a usar um pouco de vinho por causa de problemas de saúde (1 Timóteo 5:23). Esses casos não são uma orientação sobre todos os tratamentos médicos atuais, mas deixam claro que usar uma substância pra cuidar da saúde não é, por si só, feitiçaria.
Então, a diferença principal é esta: a Bíblia condena a feitiçaria, não a farmácia. A origem parecida das palavras não transforma remédios em algo proibido por Deus.