A Bíblia fala de dois homens chamados Lázaro. Um aparece numa história contada por Jesus sobre um homem pobre e um homem rico. O outro era amigo de Jesus, irmão de Marta e Maria, e foi ressuscitado por ele. São histórias diferentes, e entender essa diferença já evita muita confusão.
O primeiro Lázaro aparece em Lucas 16:19-31. Jesus conta que ele era um mendigo, coberto de feridas, que ficava à porta de um homem rico desejando comer o que caía da mesa dele. Quando os dois morreram, seus destinos foram muito diferentes: Lázaro recebeu consolo, enquanto o rico se viu em sofrimento. Na história, Jesus mostra também que o homem rico havia ignorado tanto a necessidade diante dos seus olhos quanto os avisos que Deus já tinha dado nas Escrituras.
Isso não quer dizer que a pobreza salva ou que a riqueza, por si só, condena. Jesus está mostrando a gravidade de viver sem dar ouvidos a Deus, mesmo tendo oportunidades claras pra isso. Há cristãos que entendem esse relato como uma parábola; outros consideram possível que Jesus estivesse falando de pessoas reais. O texto não resolve essa questão, e não precisamos resolvê-la pra entender o ensino. A Bíblia não diz mais nada sobre esse Lázaro nem o identifica com o amigo de Jesus.
Já Lázaro de Betânia era irmão de Marta e Maria. Jesus tinha grande carinho por essa família (João 11:1-5). Quando Lázaro ficou doente, suas irmãs mandaram avisar Jesus. Mas Jesus não foi imediatamente. Enquanto ele ainda estava longe, Lázaro morreu.
Quando Jesus chegou a Betânia, Lázaro já estava no túmulo havia quatro dias. Marta e Maria disseram, cada uma em seu momento, que, se Jesus tivesse estado ali, seu irmão não teria morrido. Dá pra perceber a dor delas. Jesus não tratou essa dor como algo sem importância: ao ver Maria e as pessoas chorando, ele também chorou (João 11:17-35).
Então Jesus foi até o túmulo, mandou retirar a pedra e chamou Lázaro. Ele saiu vivo, ainda envolto nas faixas usadas no sepultamento (João 11:38-44). Antes disso, Jesus havia dito a Marta que ele é a ressurreição e a vida. O milagre mostrou, de forma concreta, o que suas palavras significavam: a morte de Lázaro não estava além do poder de Jesus. Ele também orou diante das pessoas pra que elas reconhecessem que o Pai o havia enviado (João 11:41-42). Muitos dos que viram o que aconteceu passaram a crer nele (João 11:45).
Mais tarde, Lázaro aparece novamente numa refeição em Betânia (João 12:1-2). Sua presença atraía pessoas que queriam vê-lo, e muitos criam em Jesus por causa do que havia acontecido. Por isso, os principais sacerdotes chegaram a planejar matar Lázaro também (João 12:9-11). A Bíblia não conta o que ele viveu enquanto esteve morto nem relata como foi o restante de sua vida.
Assim, quando alguém menciona “Lázaro na Bíblia”, vale perguntar qual dos dois: o mendigo da história de Jesus, em Lucas 16, ou o amigo que Jesus chamou para fora do túmulo, em João 11.