Judas Iscariotes foi um dos doze apóstolos escolhidos por Jesus. Ele acompanhou Jesus de perto, ouviu seus ensinamentos e participou da vida do grupo. Mesmo assim, entregou Jesus às autoridades que queriam prendê-lo. É por essa traição que seu nome ficou conhecido.
Havia outros homens chamados Judas no Novo Testamento. “Iscariotes” ajuda a distinguir esse discípulo dos demais. A origem desse nome não é certa. Uma explicação possível é que ele indique uma ligação com Queriote, uma cidade da Judeia, mas não dá pra afirmar isso com segurança.
Judas também cuidava do dinheiro usado pelo grupo. João conta que ele tirava dinheiro da bolsa que estava sob sua responsabilidade (João 12:6). Mais tarde, Judas procurou os principais sacerdotes e combinou entregar Jesus por trinta moedas de prata (Mateus 26:14-16). A Bíblia mostra, portanto, que o dinheiro teve importância nas suas atitudes, embora não explique tudo o que se passava na sua cabeça.
Jesus sabia que seria traído. Durante a última refeição com os discípulos, ele falou sobre isso, mas os outros não entenderam logo que se tratava de Judas. Quando Judas saiu, alguns pensaram que ele tinha ido comprar algo ou dar dinheiro aos pobres (João 13:21-29). Depois, Judas conduziu os homens que vieram prender Jesus e o identificou com um beijo — um gesto de amizade usado, naquele momento, pra entregá-lo (Lucas 22:47-48).
Os Evangelhos também falam da atuação de Satanás na traição (Lucas 22:3; João 13:27). Isso não significa que Judas deixou de ser responsável pelo que fez. Jesus falou da traição como algo que aconteceria, mas também advertiu seriamente aquele que o entregaria (Mateus 26:24). Saber que algo vai acontecer não é o mesmo que obrigar alguém a fazê-lo.
Depois que Jesus foi condenado, Judas sentiu remorso, devolveu as moedas e reconheceu que havia entregado um inocente. Em seguida, saiu e se enforcou (Mateus 27:3-5). Atos 1:18-19 traz outros detalhes sobre sua morte e sobre o campo ligado ao dinheiro da traição, mas não explica exatamente como esses detalhes se encaixam no relato de Mateus. Também não sabemos tudo o que Judas pensou ou sentiu nos seus últimos momentos. O que os textos mostram é seu remorso; eles não relatam que ele tenha buscado o perdão de Jesus.
A história de Judas é perturbadora justamente porque ele não era alguém de fora. Ele esteve perto de Jesus e recebeu a confiança dos outros discípulos, mas escondia o que fazia e acabou traindo aquele a quem seguia. Sua vida nos lembra que estar perto das coisas de Deus não substitui uma resposta sincera a Jesus.