Paulo quer dizer que ele e seus companheiros eram atacados por anunciarem Jesus, mas Deus não os deixava sozinhos. A perseguição era real. A presença de Deus também era.
Essa frase faz parte de uma descrição sincera do trabalho de Paulo. Ele passava por pressões, tinha momentos em que não sabia o que fazer e sofria oposição. Não estava dizendo que a fé tornava tudo fácil. Estava dizendo que, mesmo em meio a essas dificuldades, Deus continuava sustentando aqueles que tinham recebido a missão de anunciar o evangelho (2 Coríntios 4:8-9).
Pouco antes, Paulo compara os mensageiros a vasos de barro: objetos frágeis que carregam algo valioso. O valor está na mensagem sobre Jesus, não na força de quem a anuncia. Por isso, a fraqueza dos apóstolos não provava que Deus os havia abandonado. Mostrava que eles dependiam do poder dele pra continuar (2 Coríntios 4:5-7).
É importante não entender “não abandonados” como uma promessa de escapar de toda dor ou perigo. Paulo sabia que podia até morrer por causa do seu trabalho. Sua esperança ia além de sobreviver à próxima perseguição: ele confiava no Deus que ressuscitou Jesus e que também o ressuscitaria (2 Coríntios 4:10-14). Assim, seus inimigos podiam fazê-lo sofrer, mas não podiam tirar dele o cuidado de Deus nem a esperança que tinha em Cristo.
A frase fala primeiro de Paulo e dos que serviam com ele. Mas ela também consola quem hoje sofre por seguir Jesus. Ser fiel a Deus não significa que ninguém vai nos rejeitar ou ferir. Significa que a rejeição das pessoas não é sinal de que Deus nos rejeitou. Podemos pedir ajuda, admitir o quanto está difícil e continuar confiando nele. Como Paulo explica no fim do capítulo, as dificuldades presentes não são o fim da história daqueles que pertencem a Cristo (2 Coríntios 4:16-18).