Perpétua e Felicidade foram duas cristãs mortas por causa da fé em Cartago, no norte da África, no ano 203. Perpétua era uma jovem mãe de família abastada. Felicidade era uma mulher escravizada que estava grávida quando foi presa. Elas são lembradas juntas porque, apesar das diferenças de condição social, enfrentaram a mesma condenação por se declararem cristãs.
Conhecemos a história delas por um relato antigo chamado *A Paixão de Perpétua e Felicidade*. Parte dele é apresentada como o registro das experiências de Perpétua na prisão; outra parte foi escrita por alguém que contou os acontecimentos finais. É uma fonte muito próxima dos fatos, embora nem todos os detalhes da vida das duas sejam conhecidos. Por exemplo, o relato não permite afirmar que Felicidade era escrava de Perpétua, nem sabemos ao certo o que aconteceu com o marido de Perpétua.
As duas foram presas com outros cristãos que se preparavam para o batismo. Para Perpétua, uma das dores mais difíceis era estar separada do filho pequeno, que ainda mamava. Seu pai tentou convencê-la a renunciar à fé, mas ela se recusou a negar que era cristã. Felicidade, por sua vez, temia ser separada do grupo na hora da execução, pois não se executavam mulheres grávidas. Ela deu à luz uma menina poucos dias antes; o relato diz que a criança ficou aos cuidados de uma mulher cristã.
Depois, os prisioneiros foram levados à arena. Perpétua e Felicidade foram atacadas por um animal e, por fim, mortas à espada. Chamamos isso de *martírio*: elas morreram porque se mantiveram fiéis à sua fé em Cristo, mesmo diante da ameaça de morte. Não precisamos tratar o sofrimento delas como algo bonito para reconhecer sua coragem. O que aconteceu foi cruel e injusto.
A história delas não está na Bíblia, mas ajuda a entender uma realidade sobre a qual Jesus falou: seus seguidores poderiam sofrer rejeição por causa dele (João 15:18-20). Perpétua e Felicidade não foram importantes por serem incapazes de sentir medo ou dor. Foram pessoas reais, com filhos e laços familiares, que se recusaram a abandonar Cristo quando isso lhes custou a própria vida.