Pastor Antônio Junior

Mensagens evangélicas, devocionais e perguntas e respostas do Pastor Antônio Junior.

O que aconteceu entre o Antigo e o Novo Testamento?

Autor: Admin

Publicado: 2026-11-05

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Entre os últimos acontecimentos narrados no Antigo Testamento e o nascimento de Jesus, passaram-se cerca de quatro séculos. Esse tempo é chamado de período intertestamentário, ou seja, o período entre os dois Testamentos. Às vezes, ele recebe o nome de “400 anos de silêncio”. Isso não quer dizer que nada aconteceu ou que Deus deixou de agir. Quer dizer que, nesse intervalo, não temos nos livros do Antigo Testamento uma nova mensagem profética como as que encontramos nos profetas.

Muita coisa mudou nesses séculos. Quando chegamos ao Novo Testamento, os judeus estão sob o domínio de Roma, muita gente fala grego, e aparecem grupos como fariseus e saduceus. Entender o que aconteceu nesse intervalo ajuda a perceber por que o mundo em que Jesus nasceu era tão diferente daquele que encontramos nas últimas páginas do Antigo Testamento.

No fim do Antigo Testamento, os judeus viviam sob o domínio da Pérsia. Os persas haviam permitido que os exilados voltassem à sua terra e reconstruíssem o templo em Jerusalém (Esdras 1:1-4). Depois, a Pérsia foi derrotada por Alexandre, o Grande, no século IV antes de Cristo. Com as conquistas dele, a língua e a cultura gregas se espalharam por uma enorme região, inclusive entre os judeus.

Isso trouxe mudanças pra vida diária e também levantou uma questão religiosa: como viver cercado por outros costumes sem abandonar a fé no Deus de Israel? Nesse ambiente, as Escrituras judaicas começaram a ser traduzidas para o grego. Essa tradução, conhecida como Septuaginta, foi produzida a partir dos séculos seguintes, especialmente no Egito. Ela permitiu que pessoas que já não sabiam ler hebraico tivessem acesso aos textos bíblicos.

Depois da morte de Alexandre, seus sucessores disputaram o controle da região. No século II antes de Cristo, um desses governantes, Antíoco IV Epifânio, tentou impor práticas pagãs aos judeus e profanou o templo de Jerusalém. Houve uma revolta liderada pela família dos macabeus, e o templo voltou a ser usado no culto judaico. A festa judaica da Dedicação, mencionada em João 10:22, recorda a purificação do templo ocorrida nesse período.

Mais tarde, foi a vez de Roma assumir o controle. Em 63 antes de Cristo, o general Pompeu tomou Jerusalém. Quando Jesus nasceu, a Judeia já vivia sob influência romana, e Herodes governava a região com o apoio de Roma. Por isso o Novo Testamento fala de governadores, soldados, impostos e, por fim, da crucificação — uma forma romana de execução.

Nesse período também ganharam importância grupos religiosos que aparecem nos Evangelhos. Os fariseus davam grande atenção à Lei de Moisés e às tradições usadas pra interpretá-la. Jesus confrontou alguns deles quando essas tradições eram colocadas acima do mandamento de Deus ou quando a prática religiosa deixava de lado a misericórdia (Marcos 7:1-13; Mateus 23:23). Os saduceus, ligados sobretudo à liderança sacerdotal, tinham influência no templo e não criam na ressurreição dos mortos (Atos 23:8). Não é seguro dizer, porém, que rejeitavam todos os livros do Antigo Testamento, exceto os de Moisés.

Assim, quando abrimos o Novo Testamento, encontramos um povo que passou por sucessivos domínios estrangeiros e ainda esperava que Deus cumprisse suas promessas. Essa esperança ajuda a entender por que a pergunta sobre o Messias — o rei prometido por Deus — era tão importante. Mas nem todos esperavam a mesma coisa: muitos desejavam libertação política, enquanto Jesus anunciou o Reino de Deus, chamou as pessoas ao arrependimento e entregou a própria vida para salvá-las do pecado (Marcos 1:14-15; 10:45).

Portanto, o período intertestamentário não foi um espaço vazio entre duas partes da Bíblia. Foi um tempo de mudanças profundas na política, na cultura e na vida religiosa dos judeus. Conhecer essas mudanças nos ajuda a entender o cenário em que Jesus veio — sem confundir o que sabemos da história com aquilo que a Bíblia afirma diretamente.