A melhor maneira é fazer uma pergunta a cada ensinamento: o que a Bíblia diz sobre isso? Essa pergunta não exige desrespeito pelos católicos nem a ideia de que toda prática católica seja igual. Exige cuidado com o que está sendo ensinado e honestidade sobre as diferenças.
Cristãos católicos e evangélicos compartilham crenças fundamentais, como a importância de Jesus Cristo, sua morte e sua ressurreição. Mas há divergências sobre como reconhecer a autoridade de um ensinamento cristão. A Igreja Católica considera a Bíblia e a Tradição da Igreja, interpretadas por sua autoridade de ensino. Os evangélicos entendem que a Bíblia é a autoridade final: uma tradição pode ser útil, mas deve ser examinada à luz das Escrituras.
Isso não significa rejeitar tudo o que veio da história da igreja. Paulo ensinou os cristãos a guardar os ensinamentos que haviam recebido dos apóstolos, inclusive oralmente (2 Tessalonicenses 2:15). A questão é como saber, hoje, se uma tradição posterior transmite fielmente esse ensino. Jesus advertiu que tradições humanas podem até contrariar a palavra de Deus (Marcos 7:8-13). Por isso, do ponto de vista evangélico, nenhuma tradição deve ficar acima do ensino bíblico.
Também é importante distinguir o que a Igreja Católica ensina oficialmente daquilo que alguns católicos fazem. No caso de Maria, por exemplo, a Igreja Católica afirma que a adora somente a Deus e que honra Maria de uma maneira diferente. Seria incorreto dizer que ela ensina oficialmente a adoração de Maria. Ao mesmo tempo, é legítimo perguntar se determinadas orações e práticas de devoção são coerentes com o lugar que a Bíblia dá a Maria. Ela é apresentada como uma mulher agraciada por Deus, que as gerações chamariam de bem-aventurada (Lucas 1:28, 48). E o Novo Testamento apresenta Jesus como o único mediador entre Deus e os seres humanos (1 Timóteo 2:5). Católicos e evangélicos entendem de maneiras diferentes o que essa afirmação permite ou exclui em relação às orações dirigidas aos santos.
Outra pergunta importante é como somos salvos. Efésios 2:8-10 ensina que a salvação é um presente da graça de Deus, recebido pela fé, e que as boas obras fazem parte da vida que Deus preparou para os salvos. Evangélicos enfatizam que essas obras são resultado da salvação, não uma forma de conquistá-la. Ao conversar sobre a posição católica, porém, é preciso representá-la com justiça: a Igreja Católica também afirma que a graça de Deus é indispensável. A divergência está em como se entende a relação entre graça, fé, obras e os sacramentos.
Assim, não é preciso aceitar uma doutrina só porque é antiga, nem rejeitá-la só porque é católica. O caminho mais cuidadoso é conhecer o que ela realmente afirma, ler as passagens bíblicas no seu contexto e perguntar se a conclusão faz justiça ao ensino das Escrituras. Dá pra fazer isso com convicção e respeito, lembrando que discordar de uma doutrina não é o mesmo que desprezar as pessoas que a seguem.