Não é errado fazer toda e qualquer pegadinha. Mas uma brincadeira deixa de ser boa quando machuca, assusta, humilha ou usa a confiança de alguém pra fazê-lo passar vergonha. A pergunta não é só “vai ser engraçado?”, mas “vai ser bom pra pessoa que está recebendo a brincadeira?”.
A Bíblia não traz uma regra específica sobre pegadinhas, mas dá um alerta bem direto em Provérbios 26:18-19. Ali, o escritor compara a alguém que lança armas perigosas a pessoa que engana o próximo e depois diz que estava só brincando. Isso não quer dizer que toda surpresa engraçada seja proibida. Quer dizer que chamar algo de “brincadeira” não apaga o mal que foi feito.
Por isso, vale pensar tanto na intenção quanto no resultado. Às vezes, uma pegadinha serve pra provocar alguém de quem estamos com raiva. Outras vezes, a intenção pode até ser boa, mas a brincadeira envolve um susto forte, estraga alguma coisa ou expõe uma pessoa diante dos outros. Se ela não ri, ainda ouve que “não tem senso de humor”. Nesse caso, a diversão de uns veio às custas dela.
Jesus ensinou a tratar os outros como gostaríamos de ser tratados (Lucas 6:31). Pra aplicar isso bem, precisamos lembrar que as pessoas são diferentes. Você talvez risse de uma surpresa que deixaria outra pessoa muito constrangida. E, se não sabe como ela vai reagir, é melhor não apostar o bem-estar dela numa tentativa de fazer os outros rirem. O amor não faz mal ao próximo (Romanos 13:10).
Então, um cristão pode brincar e rir com os outros. Só não precisa fazer isso às custas de alguém. Se houver risco de ferir, humilhar ou assustar, deixe a pegadinha de lado. E, se uma brincadeira sua magoar alguém, o melhor caminho é reconhecer o erro e pedir desculpas, em vez de insistir que “foi só uma brincadeira”.