João Batista estava dizendo aos líderes religiosos: ser descendente de Abraão não garante que vocês estejam bem com Deus. Se Deus quisesse, poderia fazer surgir filhos de Abraão até daquelas pedras. Portanto, eles não podiam usar a própria família como desculpa pra ignorar o chamado ao arrependimento.
Naquele momento, João pregava no deserto e chamava as pessoas a se arrepender, porque o reino de Deus estava próximo. Ao ver fariseus e saduceus se aproximarem, ele os advertiu a produzir frutos que mostrassem arrependimento. Foi nesse contexto que disse pra não se apoiarem na frase “Temos Abraão como pai” (Mateus 3:7–9). A questão não era negar que eles fossem descendentes de Abraão. Era mostrar que essa descendência, por si só, não tornava sincera a relação deles com Deus.
As pedras tornam a advertência ainda mais forte. Uma pedra não tem família nem pode decidir seguir a Deus. Mesmo assim, João diz que Deus tem poder pra fazer surgir filhos de Abraão dali. Ele não está contando que isso aconteceu, nem dizendo que as pedras representam obrigatoriamente um grupo específico de pessoas. Está deixando claro que Deus não depende daqueles líderes pra cumprir suas promessas a Abraão.
Mas o que significa ser filho de Abraão nesse sentido mais profundo? Abraão creu em Deus e confiou na promessa que recebeu (Gênesis 15:6). Mais tarde, Jesus mostrou que não bastava alguém dizer que era descendente de Abraão se suas atitudes contrariavam aquilo que Abraão fez (João 8:39–40). Paulo explicou que pessoas que creem em Cristo também pertencem à descendência de Abraão no sentido de participarem da promessa feita a ele, mesmo sem serem seus descendentes de sangue (Gálatas 3:7, 29).
Isso não quer dizer que a história do povo de Israel não tenha importância. Quer dizer que a origem de uma pessoa não substitui a fé. Por isso João pediu arrependimento que aparecesse na maneira de viver. E a lição continua clara pra nós: nascer numa família cristã ou frequentar uma igreja pode ser uma bênção, mas não é o mesmo que confiar em Cristo. Deus pode acolher pessoas de qualquer origem; ninguém precisa ter a família certa pra se aproximar dele, e ninguém pode usar sua família como garantia de que já está bem com ele.