A Bíblia não usa a palavra *pedofilia*, mas condena claramente o abuso sexual de crianças. Uma criança não tem condições de consentir com um ato sexual com um adulto. Quem se aproveita dela comete uma violência grave, e a responsabilidade é sempre do adulto — nunca da criança.
É importante distinguir as coisas. A palavra *pedofilia* costuma ser usada pra falar de atração sexual por crianças, enquanto o abuso é o ato de explorá-las sexualmente. A Bíblia não trata dessa atração pelo nome. Ela, porém, ensina que desejos não devem ser alimentados quando levam ao pecado, e não deixa dúvida de que ninguém pode usar uma criança pra satisfazer um desejo sexual. Jesus ensinou que o mal também precisa ser enfrentado no coração, antes de se transformar em ação (Mateus 5:27-30; Marcos 7:20-23).
Jesus mostrou cuidado especial pelos pequenos. Em Mateus 18, ele alertou seus discípulos sobre a gravidade de levar um dos “pequeninos” ao pecado e disse que eles não devem ser desprezados (Mateus 18:6, 10). Na passagem, “pequeninos” não é apenas outro nome pra todas as crianças; Jesus também fala daqueles que creem nele. Mesmo assim, o ensino deixa claro o quanto seria contrário à vontade dele explorar alguém vulnerável. A Bíblia também chama seu povo a defender quem precisa de proteção e a não encobrir o mal (Provérbios 31:8-9; Efésios 5:11).
Por isso, proteger a criança vem primeiro. Se há suspeita de abuso, não basta pedir que a criança perdoe, tratar o caso como um assunto privado ou confiar apenas numa promessa de que não vai acontecer de novo. É preciso afastá-la do risco, ouvi-la sem culpá-la e procurar os órgãos competentes pra denunciar e garantir proteção. Quem sofreu abuso precisa de cuidado e apoio; não carrega a culpa pelo que aconteceu.
Uma pessoa que percebe em si atração sexual por crianças também precisa agir antes de causar qualquer dano: não deve alimentar esse desejo nem buscar imagens de exploração infantil, e deve procurar ajuda profissional adequada, mantendo distância de situações em que possa colocar crianças em risco. Buscar ajuda é necessário, mas não substitui medidas concretas de proteção.
A Bíblia ensina que Deus perdoa quem se arrepende de verdade. Mas arrependimento não apaga o crime, não dispensa a prestação de contas à justiça e não dá ao agressor o direito de voltar a ter acesso a crianças. Levar a sério o ensino bíblico, nesse caso, significa chamar o abuso pelo que ele é, proteger os pequenos e cuidar de quem foi ferido.