Não. Um filho não é culpado diante de Deus por um pecado que seus pais cometeram. Mas ele pode sofrer as consequências desse pecado. Essa diferença é importante: sofrer por causa do que outra pessoa fez não é o mesmo que ser culpado pelo que ela fez.
Em Ezequiel 18, algumas pessoas em Israel diziam que estavam sofrendo por causa dos erros das gerações anteriores. Deus respondeu que julgaria cada pessoa por seus próprios caminhos. O capítulo dá um exemplo bem direto: mesmo que o pai pratique o mal, o filho que vê isso e escolhe agir de outro modo não será condenado pelo pecado do pai (Ezequiel 18:14-20).
Talvez venha à mente Êxodo 20:5-6, onde Deus fala das consequências da desobediência dos pais alcançando os filhos por várias gerações. Isso não contradiz Ezequiel. As decisões de uma geração podem prejudicar as seguintes, especialmente quando os filhos continuam praticando o mesmo mal. Mas a passagem não ensina que Deus considera culpado um filho que rejeita o pecado dos pais. O próprio texto também destaca a misericórdia de Deus para com os que o amam e obedecem a ele.
A vida mostra como essas consequências podem acontecer. Um pai que abandona a família, por exemplo, pode causar sofrimento real aos filhos. Eles não escolheram aquele abandono e não têm culpa por ele, mas precisam lidar com seus efeitos. A Bíblia também relata que a morte do filho de Davi e Bate-Seba esteve ligada ao pecado de Davi (2 Samuel 12:13-18). O relato mostra que uma criança pode ser atingida pelas consequências de um pecado alheio; não diz que ela era culpada pelo que o pai fez.
Isso não significa que os filhos não tenham pecados próprios. Todos nós precisamos do perdão de Deus (Romanos 3:23). Mas ninguém precisa pensar: “Meus pais pecaram, então estou condenado a repetir a história deles.” A resposta que cada pessoa dá a Deus importa. Jesus oferece vida a quem crê nele (João 3:16-18), e a fé ou a falta de fé dos pais não substitui a resposta do filho.
Portanto, um filho pode carregar dores causadas pelos pecados dos pais, mas não a culpa pessoal por esses pecados. Ele é responsável pelas próprias escolhas — e pode buscar em Cristo perdão e uma maneira diferente de viver.