Não. A Bíblia não diz que ter muito dinheiro seja pecado. O que ela nos manda examinar é como conseguimos esse dinheiro, o lugar que ele ocupa na nossa vida e o que fazemos com ele.
Abraão, por exemplo, tinha muitos bens (Gênesis 13:2). Mas isso não significa que a riqueza seja uma prova de que Deus aprova tudo o que uma pessoa faz. Também não significa que quem tem pouco esteja longe dele. O dinheiro, por si só, não nos diz como está o coração de alguém.
O perigo é real. Paulo alerta que o desejo de ficar rico pode levar a pessoa a cair em tentações e fazer escolhas que a prejudicam. Ele fala do amor ao dinheiro, não do dinheiro em si (1 Timóteo 6:9-10). Jesus também ensinou que não podemos servir a Deus e ao dinheiro como se os dois fossem nossos senhores (Mateus 6:24). Isso acontece quando ganhar ou guardar mais passa a mandar nas nossas decisões, mesmo à custa da honestidade, da fé ou do cuidado com outras pessoas.
A história de Zaqueu mostra bem a diferença. Ele era rico e cobrava impostos. Depois de encontrar Jesus, declarou que daria metade dos seus bens aos pobres e devolveria mais do que devia a quem tivesse prejudicado (Lucas 19:1-10). A mudança não foi simplesmente deixar de ter dinheiro. Foi deixar de tratar as pessoas de maneira injusta e passar a usar seus bens pra fazer o bem.
Por isso, a Bíblia dá orientações bem diretas aos ricos: que não sejam arrogantes, que não ponham sua esperança na riqueza e que sejam generosos e dispostos a repartir (1 Timóteo 6:17-19). Ela também nos ensina a não ignorar quem passa necessidade (Deuteronômio 15:7-11; Tiago 2:15-16). Ter recursos traz a responsabilidade de usá-los com justiça e atenção aos outros.
Então, ser rico não é pecado. Mas a riqueza não torna ninguém justo diante de Deus e pode se tornar um grande perigo quando passa a ser mais importante do que ele. A pergunta mais importante não é apenas “quanto eu tenho?”, mas “como estou ganhando, em que estou confiando e como estou usando o que tenho?”.