Essa é a dúvida que Paulo levanta em Romanos 5:13–14. Ele diz que o pecado já existia antes de Deus dar a Lei a Moisés, mas também afirma que o pecado não é imputado quando não há lei. Então acrescenta que, mesmo naquele período, as pessoas morriam. Como entender isso?
“Não é imputado” quer dizer que uma falta não pode ser cobrada como desobediência a uma ordem que ainda não foi dada. Antes de Moisés, ninguém podia ser acusado de quebrar a Lei de Moisés. Mas isso não significa que as pessoas não pecavam, nem que Deus considerava tudo o que faziam aceitável. O próprio Paulo começa dizendo que o pecado já estava no mundo (Romanos 5:13).
A distinção importante é entre *não ter recebido a Lei de Moisés* e *não ter nenhuma orientação de Deus*. Adão, por exemplo, recebeu uma ordem direta e a desobedeceu (Gênesis 2:16–17; 3:6). E Paulo explica em outro trecho que pessoas que não receberam a Lei ainda têm consciência moral: conseguem reconhecer certas coisas como certas ou erradas, embora nem sempre vivam de acordo com isso (Romanos 2:14–15).
Então por que Paulo menciona a morte? Porque ela mostra que o problema iniciado com Adão continuou atingindo a humanidade antes mesmo da Lei de Moisés. As pessoas daquele período não repetiram exatamente a desobediência de Adão a uma ordem dada diretamente a ele; ainda assim, morreram. Para Paulo, isso mostra que o pecado e a morte não começaram com a Lei de Moisés. Eles já faziam parte da condição humana desde Adão (Romanos 5:12–14).
Paulo não está tentando dizer que só existe culpa quando há uma lei escrita, nem que cada pessoa morreu apenas por ter cometido uma infração específica. Seu argumento é mais amplo: por meio de Adão, o pecado e a morte alcançaram a humanidade. A Lei veio depois e deixou mais claras as exigências de Deus e as transgressões humanas, mas não criou o pecado (Romanos 5:20).
Portanto, a frase significa que não se pode atribuir a alguém a violação de uma lei que essa pessoa não recebeu. Ela não significa que, antes de Moisés, as pessoas eram inocentes ou não precisavam de salvação. É por isso que Paulo faz a comparação com Jesus: assim como o que Adão fez teve consequências para muitos, aquilo que Cristo fez oferece graça e vida aos que pertencem a ele (Romanos 5:15–19).