O pecado de Jeroboão foi levar o povo de Israel a adorar diante de bezerros de ouro, no lugar de seguir a maneira como Deus havia ordenado que o adorassem. Ele fez isso por medo de perder o trono. E o problema não terminou com ele: vários reis depois continuaram a mesma prática. Por isso, a Bíblia fala repetidas vezes dos “pecados de Jeroboão”.
Jeroboão se tornou rei das tribos do norte depois que Israel se dividiu em dois reinos. Jerusalém, onde ficava o templo, estava no reino do sul. Jeroboão pensou que, se as pessoas continuassem indo até lá para adorar, acabariam voltando a apoiar o rei do sul. Então mandou fazer dois bezerros de ouro e colocou um em Betel e outro em Dã, oferecendo ao povo lugares de adoração dentro do seu próprio reino (1 Reis 12:26-30).
Ele também construiu santuários, escolheu sacerdotes que não pertenciam à família sacerdotal estabelecida por Deus e criou uma festa religiosa por iniciativa própria (1 Reis 12:31-33). Não foi apenas uma mudança de endereço. Jeroboão passou a decidir como o povo adoraria, contrariando as orientações que Deus havia dado.
Existe uma distinção importante aqui: não sabemos se Jeroboão pretendia substituir o Senhor por outros deuses ou se queria que os bezerros fossem usados na adoração ao Senhor. Mas isso não tornava a prática aceitável. Deus havia proibido seu povo de fazer imagens para adoração. O profeta Aías condenou Jeroboão por ter feito imagens e levado Israel a pecar (1 Reis 14:9, 16). Mesmo que alguém dissesse estar adorando o Deus de Israel, adorar diante daqueles bezerros era desobedecer a ele.
O mais triste é que Jeroboão não precisava agir assim. Deus havia prometido firmar seu governo se ele obedecesse aos seus mandamentos (1 Reis 11:37-38). Em vez de confiar nessa promessa, ele tentou proteger o próprio poder conduzindo o povo ao pecado.
Assim, quando o livro de Reis diz que outro governante seguiu “o pecado de Jeroboão”, está dizendo que ele manteve essa adoração idólatra introduzida pelo primeiro rei do norte. Jeroboão pecou, mas também criou uma prática que afastou gerações inteiras da obediência a Deus. Séculos depois, a Bíblia ainda aponta esse caminho como uma das razões do julgamento de Israel (2 Reis 17:21-23).