Não. A Bíblia não apresenta a incredulidade como um pecado que ficou fora do sacrifício de Jesus. A questão é outra: o perdão que Cristo oferece é recebido pela fé nele. Por isso, quem continua sem crer não permanece sem perdão porque Jesus deixou de morrer por um pecado específico, mas porque não recebeu a salvação que ele oferece.
João diz que Jesus é o sacrifício pelos pecados e fala não só dos seus leitores, mas também do mundo inteiro (1 João 2:2). Cristãos entendem de maneiras diferentes o alcance dessa expressão. Mas ela certamente não ensina que a incredulidade seria uma exceção, nem que todas as pessoas já estão perdoadas automaticamente. O mesmo Novo Testamento diz que quem crê em Jesus não é condenado, enquanto quem não crê continua sob condenação (João 3:18).
Essa diferença fica mais fácil de entender quando pensamos no que a fé faz. Fé não é uma boa obra que completa o sacrifício de Cristo, como se a cruz não tivesse sido suficiente. É confiar em Jesus pra receber dele o que não conseguimos obter por nós mesmos. Por isso Paulo diz que somos justificados pela fé e que a salvação é um presente de Deus, não uma recompensa pelas nossas obras (Romanos 5:1; Efésios 2:8-9).
A incredulidade, portanto, é grave. Não porque seja poderosa demais pra ser perdoada, mas porque mantém a pessoa afastada de Cristo, em quem há perdão. Jesus afirmou que quem não cresse nele morreria em seus pecados (João 8:24). Repare que ele não disse “no pecado da incredulidade”, como se todos os outros estivessem perdoados. A pessoa continua responsável por seus pecados porque não está unida a ele pela fé.
Isso não quer dizer que toda pessoa com dúvidas está rejeitando Jesus de propósito. A Bíblia relata até o pedido de alguém que cria e, ao mesmo tempo, reconhecia sua dificuldade pra crer (Marcos 9:24). Dúvidas podem ser levadas a Cristo. O problema é permanecer na rejeição dele, e não buscar sua ajuda em meio à fraqueza.
Então, a resposta é simples: Jesus não excluiu a incredulidade do alcance do seu sacrifício. Quem hoje não crê ainda pode se arrepender e confiar nele. Mas não há perdão separado de Cristo: é nele, e não apenas no fato de ele ter morrido, que a pessoa encontra a salvação.