Porque Deus nos criou e nos ensinou a viver de um jeito que é bom e justo. Quando pecamos, desobedecemos a ele — mesmo quando o pecado parece envolver apenas nós mesmos ou outra pessoa. Isso não diminui o mal feito a quem sofreu. Mostra que o pecado tem também uma dimensão diante de Deus.
José entendeu isso quando a esposa de Potifar tentou convencê-lo a se deitar com ela. Se aceitasse, ele trairia a confiança de Potifar e participaria de uma infidelidade. Ainda assim, ao explicar por que não faria aquilo, José disse que estaria pecando contra Deus (Gênesis 39:7-9). A traição não deixaria de atingir pessoas; ela também seria uma desobediência a Deus.
O caso de Davi ajuda a entender um ponto que pode causar estranheza. Depois de tomar Bate-Seba e provocar a morte do marido dela, Davi, em sua oração de arrependimento, falou do seu pecado como sendo contra Deus (2 Samuel 11; Salmo 51:4). Ele não estava dizendo que Bate-Seba e Urias não importavam. Seus atos tiveram consequências graves pra eles. Davi reconhecia que, ao fazer aquele mal, também havia afrontado o Deus diante de quem precisava prestar contas.
Isso vale até quando ninguém mais vê o que fazemos. Deus se importa com nossas atitudes, palavras e intenções, não só com os danos que outras pessoas conseguem perceber. Jesus ensinou, por exemplo, que a ira e o desejo de cometer adultério também precisam ser levados a sério (Mateus 5:21-28).
Então, dizer que todo pecado é contra Deus não é uma maneira de ignorar as vítimas ou dispensar a reparação do mal. Pelo contrário: se Deus nos manda amar e tratar as pessoas com justiça, pecar contra alguém é também desobedecer a ele. O caminho do arrependimento inclui reconhecer o pecado diante de Deus e, quando prejudicamos alguém, assumir nossa responsabilidade diante dessa pessoa.