Paulo está dizendo que teve uma experiência extraordinária da presença de Deus. Em 2 Coríntios 12:2-4, ele conta que foi “arrebatado” ao terceiro céu, que também chama de paraíso. Mas deixa uma coisa clara: ele não sabe se foi levado até lá com o corpo ou se teve uma visão enquanto seu corpo permaneceu onde estava. Por isso, o relato não permite afirmar exatamente como aconteceu.
A expressão “terceiro céu” pode causar estranheza. Na Bíblia, a palavra *céu* pode se referir ao céu que vemos acima de nós, à região dos astros e também ao céu associado à presença de Deus. Ao falar em “terceiro céu” e, logo depois, em “paraíso”, Paulo está se referindo a essa última realidade. Ele não está ensinando que existem três níveis de salvação, nem descrevendo um lugar que outras pessoas precisam alcançar por meio de uma experiência parecida.
Também chama a atenção a maneira discreta como Paulo conta isso. Ele fala de si mesmo como “um homem em Cristo” e diz que ouviu coisas que não lhe era permitido repetir. No contexto, ele está respondendo a pessoas que questionavam sua autoridade como apóstolo. Mesmo assim, não usa a experiência pra se colocar acima dos outros. Depois de mencioná-la, ele conta que recebeu uma aflição que o ajudava a não se tornar orgulhoso e lembra que precisava da graça de Deus (2 Coríntios 12:7-10).
Portanto, o ponto principal não é descobrir detalhes sobre o que Paulo viu ou ouviu. A Bíblia não nos dá esses detalhes. O relato mostra que Deus lhe concedeu uma revelação especial, mas que nem mesmo uma experiência tão marcante eliminou sua necessidade de depender de Cristo.
E o que isso significa pra nós? Não precisamos passar pela mesma experiência pra ter esperança de estar com o Senhor. Paulo ensinou que o cristão pode confiar no futuro com Cristo mesmo enquanto vive pela fé, sem ver agora tudo o que Deus preparou (2 Coríntios 5:7-8; Filipenses 1:23).