Um pastor pode alcançar muita gente por meio de livros, vídeos ou pregações, e isso não é pecado. O alcance pode ajudar pessoas a conhecer e entender melhor a Bíblia. O problema começa quando a fama muda a maneira como o pastor cuida da igreja, como as pessoas o enxergam ou como ele enxerga a si mesmo.
O primeiro risco é perder de vista as pessoas que ele foi chamado a pastorear de perto. Ensinar milhares de pessoas pela internet não é a mesma coisa que conhecer uma igreja, ouvir suas dificuldades, acompanhar quem está sofrendo e prestar atenção à vida dos membros. Em 1 Pedro 5:2-3, os líderes são orientados a cuidar das pessoas confiadas a eles e a servir de exemplo. Por isso, se viagens, eventos e compromissos públicos deixam a congregação local sem o cuidado necessário, alguma coisa precisa mudar. Isso não significa que o pastor tenha de fazer tudo sozinho, mas sua fama não pode servir de desculpa pra negligenciar a igreja.
Há também um risco pra quem acompanha esse pastor de longe. A pessoa pode sentir que o conhece porque ouve suas pregações toda semana. Mas conhecer o trabalho público de alguém não é o mesmo que ter uma relação em que se possa conversar, pedir ajuda e ser acompanhado. Um pregador conhecido pode ser uma boa fonte de ensino; ele não substitui os líderes e irmãos com quem a pessoa convive. E nenhum pastor, por mais respeitado que seja, deve receber uma confiança que dispense o exame das Escrituras. Os cristãos de Bereia foram elogiados porque conferiam nas Escrituras o que ouviam de Paulo (Atos 17:11).
A fama também pode tornar mais difícil aceitar correção. Quando muita gente admira um líder, talvez fique com receio de questioná-lo. Ele, por sua vez, pode começar a tratar críticas honestas como ataques. Isso é perigoso porque a Bíblia não mede a fidelidade de um pastor pelo tamanho de seu público. Em 1 Timóteo 3:1-7, Paulo fala de caráter, domínio próprio, capacidade de ensinar e cuidado com a própria casa. Um pastor precisa ser conhecido de perto por pessoas que possam avaliar sua conduta e confrontá-lo quando necessário. Prestação de contas de verdade não é apenas ter alguém que concorda com ele.
O dinheiro e a influência também exigem cuidado. Um líder pode se sentir pressionado a proteger sua imagem, evitar assuntos difíceis ou tratar o ministério como se fosse uma marca pessoal. E, quando ninguém consegue questionar suas decisões, aumentam as oportunidades pra abusos espirituais, financeiros ou sexuais. Isso não quer dizer que todo pastor famoso cometa esses pecados. Quer dizer que talento, bons sermões e muitos seguidores não tornam ninguém imune à tentação. A advertência de 1 Coríntios 10:12 vale também pra quem lidera.
Jesus deu aos seus discípulos uma medida bem diferente de grandeza: quem deseja ser o primeiro deve servir aos outros (Marcos 9:33-35). Esse é o ponto principal. A pergunta não é simplesmente se um pastor é famoso, mas se ele continua ensinando com fidelidade, cuidando das pessoas sob sua responsabilidade, vivendo de maneira íntegra e aceitando correção.
Por isso, não precisamos rejeitar um ensino bíblico só porque vem de um pastor conhecido. Também não devemos confiar nele só porque é conhecido. Podemos agradecer pelo que aprendemos, conferir o ensino nas Escrituras e lembrar que nenhum pregador deve ocupar o lugar de Cristo nem substituir a vida da igreja local.