Depende do que se quer dizer com “ser gay”. Algumas pessoas usam essa palavra porque sentem atração por pessoas do mesmo sexo, mesmo sem ter relações sexuais com elas. Outras a usam pra dizer que vivem um relacionamento com alguém do mesmo sexo. Essa diferença é importante pra responder à pergunta.
Sentir uma atração não é a mesma coisa que decidir agir de acordo com ela. Um pastor, como qualquer cristão, pode enfrentar desejos que não deve alimentar ou praticar. A Bíblia não exige que ele nunca seja tentado. Exige que sua vida seja marcada por fidelidade a Cristo, domínio próprio e integridade. Por isso, a atração por homens, por si só, não impede um homem de ser pastor. Também não devemos prometer que essa atração necessariamente desaparecerá se ele tiver fé suficiente.
Já a pergunta sobre um pastor manter um relacionamento sexual com outro homem envolve o ensino bíblico sobre a sexualidade. Na compreensão cristã tradicional, as relações sexuais pertencem ao casamento entre homem e mulher. Textos como Gênesis 2:24, Mateus 19:4–6, Romanos 1:26–27 e 1 Coríntios 6:9–11 fazem parte dos fundamentos dessa posição. Segundo esse entendimento, um pastor não pode ensinar à igreja que uma prática é aceitável e, ao mesmo tempo, contrariar o que entende que Deus ensina sobre ela.
Existem cristãos que interpretam essas passagens de outra maneira e defendem que elas não tratam dos relacionamentos estáveis entre pessoas do mesmo sexo como são discutidos hoje. É uma divergência real, que não convém esconder. Ainda assim, a posição evangélica tradicional entende que a Bíblia não autoriza a prática sexual entre pessoas do mesmo sexo. Dentro dessa posição, um homem que mantém esse tipo de relacionamento não deve exercer o pastorado.
Isso não significa que um pastor precise ser casado. Jesus não foi casado, e Paulo fala do valor de permanecer solteiro em 1 Coríntios 7. Um homem que sente atração por outros homens e escolhe viver em castidade pode, portanto, ser considerado pro pastorado. Como acontece com qualquer candidato, a igreja precisa avaliar também seu caráter, sua maneira de ensinar e sua capacidade de cuidar das pessoas. Essas são exigências apresentadas em 1 Timóteo 3:1–7 e Tito 1:5–9.
O mesmo cuidado vale pra todos. A igreja não deve exigir sinceridade e domínio próprio de um homem que sente atração por outros homens enquanto ignora adultério, abuso ou outros pecados persistentes em seus líderes. E ninguém precisa esconder suas lutas por medo de ser tratado como se fosse apenas o seu desejo. Pastores também precisam de ajuda, prestação de contas e da graça de Cristo.
Assim, a resposta curta é: um homem que sente atração por outros homens pode ser pastor; segundo a compreensão evangélica tradicional da Bíblia, um homem que pratica relações sexuais com outros homens não deve ser pastor. A distinção não é entre pessoas que enfrentam tentações e pessoas que não enfrentam. É entre enfrentar uma luta buscando obedecer a Cristo e assumir como aceitável uma prática que essa interpretação das Escrituras considera pecado.