Um pastor bivocacional é alguém que cuida de uma igreja e também trabalha em outra profissão. Ele pode, por exemplo, ensinar e acompanhar os membros da igreja enquanto exerce um emprego pra sustentar a família. Isso costuma acontecer quando a igreja não consegue pagar um salário suficiente, mas não é a única razão possível.
Ter outro trabalho não faz dele menos pastor. A Bíblia reconhece que quem se dedica ao ensino da Palavra pode receber sustento da igreja (1 Coríntios 9:14; 1 Timóteo 5:17-18). Ao mesmo tempo, ela não exige que todo líder cristão viva exclusivamente desse sustento. O apóstolo Paulo é um exemplo útil: durante sua missão em Corinto, ele trabalhou com Áquila e Priscila, que tinham o mesmo ofício que ele (Atos 18:1-3). Paulo não foi pastor de uma igreja no mesmo sentido em que usamos essa palavra hoje, mas seu exemplo mostra que trabalhar pra se sustentar e servir a Deus podem andar juntos.
A dificuldade está no tempo e no cansaço. O pastor precisa ensinar a Palavra, orar e cuidar das pessoas (Atos 6:2-4; 1 Pedro 5:2). Se também cumpre uma jornada em outro emprego, não pode estar disponível pra tudo a qualquer hora. Por isso, a igreja precisa repartir as tarefas, respeitar os limites dele e cuidar também de sua família. Atos 6 mostra como a igreja em Jerusalém dividiu responsabilidades pra que os apóstolos pudessem se dedicar à oração e ao ensino; a passagem não proíbe que um líder tenha outra profissão.
Então, ser bivocacional não é um defeito no ministério nem uma obrigação pra todos os pastores. É uma forma de servir à igreja enquanto se exerce outro trabalho. O importante é que o pastor possa cumprir bem suas responsabilidades e não precise carregar tudo sozinho.