Pastor Antônio Junior

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As parteiras hebreias foram elogiadas por mentir ao faraó?

Autor: Admin

Publicado: 2026-11-05

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A Bíblia elogia Sifrá e Puá por temerem a Deus e se recusarem a matar bebês. Ela não diz que Deus as elogiou pela resposta que deram ao faraó. Essa diferença é o ponto principal da história.

O rei do Egito havia mandado que as parteiras matassem os meninos hebreus assim que nascessem. Elas desobedeceram e deixaram as crianças viver. Quando o faraó perguntou por que os meninos continuavam sobrevivendo, responderam que as mulheres hebreias davam à luz antes da chegada das parteiras (Êxodo 1:15-19).

Essa resposta levanta uma dúvida. O texto não conta quanto tempo cada parto levava nem diz expressamente que as parteiras mentiram. Pode ser que alguns bebês realmente nascessem antes de elas chegarem. Também é possível que tenham usado essa explicação para esconder sua decisão de não matar os meninos. Não temos informação suficiente pra afirmar com certeza tudo o que havia de verdadeiro ou falso nas palavras delas.

Mas a Bíblia deixa claro por que Deus aprovou sua atitude: elas o temiam mais do que temiam o faraó (Êxodo 1:17, 20-21). Diante de uma ordem pra matar crianças, escolheram preservar a vida. Mais tarde, os apóstolos expressaram o mesmo princípio: quando uma autoridade exige algo contrário à vontade de Deus, devemos obedecer a Deus, e não à autoridade (Atos 5:29).

Isso não significa que qualquer mentira contada por uma boa causa esteja automaticamente certa. A Bíblia ensina o povo de Deus a falar a verdade (Levítico 19:11; Efésios 4:25). Entre cristãos que levam esse ensino a sério, há opiniões diferentes sobre situações extremas em que dizer a verdade a um agressor colocaria pessoas inocentes em perigo. Alguns entendem que, nesses casos, é correto ocultar a informação pra proteger vidas. Outros entendem que não se deve mentir, mesmo quando há uma razão justa pra não revelar a verdade.

Êxodo 1 não resolve diretamente essa discussão. O que ele nos permite afirmar com segurança é que Sifrá e Puá fizeram bem em desobedecer à ordem cruel do faraó. Deus as abençoou por temê-lo e por deixarem os meninos viver — não há no texto um elogio específico à possível mentira delas.