É quando um verso apresenta uma ideia e, logo depois, diz quase a mesma coisa com outras palavras. Em vez de repetir a frase exatamente, a segunda parte ajuda a reforçar ou esclarecer o que a primeira disse.
Isso acontece bastante nos Salmos e em Provérbios. No Salmo 120:2, por exemplo, o autor pede a Deus que o livre de pessoas que mentem. Primeiro, ele fala de lábios mentirosos; depois, de uma língua enganadora. Não está descrevendo dois problemas diferentes. As duas expressões apontam pra mesma coisa: gente que usa a fala pra enganar.
O nome fica mais fácil de entender assim: as duas partes são *paralelas* porque aparecem lado a lado; são *sinônimas* porque seus sentidos são muito próximos. Na poesia hebraica, essa relação entre as ideias costuma ser mais importante do que a rima entre os sons das palavras.
Mas “sinônimo” não quer dizer que as duas partes sejam idênticas em todos os detalhes. Em Provérbios 17:25, um filho insensato é apresentado como motivo de tristeza pro pai e de amargura pra mãe. A segunda parte não repete apenas a primeira: ela mostra que o sofrimento atinge os dois. Por isso, vale ler as duas partes juntas. Uma reforça a outra e, às vezes, acrescenta algo que nos ajuda a entender melhor o pensamento.
Reconhecer esse tipo de paralelismo ajuda a ler a poesia bíblica sem procurar uma diferença enorme onde o autor está, principalmente, repetindo e aprofundando uma ideia.