Jesus contou essa história pra ensinar seus discípulos a continuar orando sem desanimar (Lucas 18:1). Uma viúva procurava um juiz porque precisava que ele fizesse justiça numa disputa. Durante algum tempo, ele se recusou a atendê-la. Ela, porém, continuou voltando. No fim, o juiz resolveu o caso, não por se importar com ela, mas porque queria que ela parasse de incomodá-lo.
À primeira vista, pode parecer que Jesus está dizendo que precisamos insistir até Deus perder a paciência e nos atender. Mas a comparação funciona no sentido contrário. Aquele juiz não temia a Deus nem se importava com as pessoas. Deus não é como ele. Se até um homem assim acabou fazendo justiça, podemos confiar muito mais em Deus quando levamos a ele nossas necessidades. Jesus diz que Deus fará justiça aos seus escolhidos, que clamam a ele (Lucas 18:6-8).
A situação da viúva ajuda a entender por que ela insistia. Ela precisava de justiça e não tinha como obrigar o juiz a ouvi-la. Deus, por sua vez, se importa com quem sofre injustiça. A lei dada a Israel já ordenava que as viúvas fossem tratadas com justiça e afirmava que Deus defendia a causa delas (Deuteronômio 10:18; 24:17). A viúva da parábola persistiu diante de alguém indiferente; nós podemos orar sabendo que Deus não é indiferente.
Isso não significa que toda oração receberá a resposta que imaginamos, no momento que desejamos. A promessa da parábola é sobre a justiça de Deus, não sobre conseguir qualquer coisa apenas por repetir um pedido. Quando a resposta parece demorar, a orientação de Jesus é não abandonar a oração nem concluir que Deus deixou de se importar.
Por isso, a pergunta que Jesus faz no fim da história é tão importante: quando o Filho do Homem vier, encontrará fé na terra? (Lucas 18:8). A questão não é só se começamos a orar quando surge um problema. É se continuamos confiando em Deus mesmo enquanto esperamos. A viúva continuou procurando justiça; Jesus nos chama a continuar procurando a Deus.