A balança mostra que a comida será medida com cuidado, porque estará escassa. João vê um cavaleiro num cavalo preto segurando a balança. Logo depois, ouve o preço dos alimentos: uma medida de trigo ou três medidas de cevada custam um denário (Apocalipse 6:5-6). Um denário podia corresponder ao pagamento por um dia de trabalho (Mateus 20:2). A ideia é clara: uma pessoa trabalharia o dia inteiro e conseguiria comprar apenas uma quantidade limitada de comida.
Por isso, a balança não representa, aqui, Deus pesando as boas e as más ações das pessoas. Ela está ligada à pesagem de alimentos em tempos de escassez. O trigo e a cevada eram usados pra fazer comida no dia a dia. A cevada era mais barata, mas, mesmo escolhendo essa opção, uma família teria dificuldade pra se alimentar com o pagamento de um único trabalhador.
A visão também menciona uma ordem pra não danificar o azeite e o vinho. O texto não explica exatamente por que esses produtos são poupados. Pode indicar que a escassez não atinge tudo da mesma maneira, mas não dá pra afirmar com certeza quem ainda teria acesso a eles nem por qual motivo.
O cavaleiro anterior está ligado à perda da paz e à violência (Apocalipse 6:3-4). Assim, é natural relacionar a falta de comida às consequências de conflitos, embora o texto não diga que a guerra seja sua única causa. Cristãos também entendem de maneiras diferentes quando esses acontecimentos se cumprem. Essa diferença não muda o sentido principal da balança: ela retrata um tempo em que conseguir alimento básico se torna difícil e caro.