Pastor Antônio Junior

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O que foi o Papado de Avignon, chamado de “Cativeiro Babilônico da Igreja”?

Autor: Admin

Publicado: 2026-11-05

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Foi um período de quase 70 anos, de 1309 a 1377, em que os papas moraram em Avignon, e não em Roma. Avignon fica na região que hoje é a França. O nome “Cativeiro Babilônico da Igreja” é uma comparação com os cerca de 70 anos do exílio dos judeus na Babilônia (Jeremias 29:10). Não significa que os papas estivessem literalmente presos: o apelido também expressava a preocupação de que estivessem sob forte influência dos reis franceses.

Pra entender como isso aconteceu, é preciso voltar um pouco. No começo do século 14, havia uma disputa séria entre o rei Filipe IV da França e o papa Bonifácio VIII sobre o poder de cada um. Depois da morte de Bonifácio e do breve pontificado de Bento XI, foi eleito Clemente V, um francês. Em 1309, ele se estabeleceu em Avignon. Seus seis sucessores permaneceram ali. Isso aumentou a desconfiança de quem via o papado cada vez mais ligado aos interesses da França.

O último desses papas, Gregório XI, voltou a Roma em 1377. Mas a volta não resolveu a crise. Após sua morte, em 1378, foi eleito Urbano VI. Um grupo de cardeais rejeitou essa eleição e escolheu outro homem, que passou a morar em Avignon. Começou então o Cisma do Ocidente: durante décadas, houve líderes rivais afirmando ser o papa legítimo, com apoio de diferentes partes da igreja e de diferentes governantes.

É importante não confundir os dois acontecimentos. O Papado de Avignon foi o período em que os papas residiram naquela cidade, até 1377. O Cisma do Ocidente veio depois, quando passaram a existir reivindicações rivais ao papado. A tentativa de resolver a disputa no Concílio de Pisa, em 1409, acabou criando um terceiro pretendente, sem eliminar os outros dois. A crise principal só foi encerrada no Concílio de Constança, com a eleição de Martinho V em 1417.

E o que a Bíblia tem a dizer sobre isso? Ela não menciona Avignon nem descreve esse conflito histórico. Por isso, seria errado dizer que Jeremias predisse aquele período: a ligação com o exílio babilônico é apenas uma comparação feita mais tarde. O Novo Testamento, porém, afirma que Cristo é o cabeça da igreja (Efésios 1:22-23; Colossenses 1:18) e ensina seus líderes a cuidar das pessoas, não a dominá-las (1 Pedro 5:2-3).

Cristãos divergem sobre como esses ensinamentos se relacionam com o papado. A Igreja Católica entende que o papa exerce uma função de unidade e liderança na igreja. Já muitos evangélicos entendem que o Novo Testamento não estabelece um único líder humano com autoridade suprema sobre todos os cristãos. Essa diferença não muda os fatos históricos: Avignon mostrou como disputas políticas podiam afetar a liderança da igreja, e o cisma que veio depois tornou essa crise ainda mais grave.