Não. A Bíblia não anuncia a chegada de um “papa negro” nem diz que a eleição de um papa com determinada cor de pele será sinal do fim dos tempos. Essa ideia vem de interpretações de textos e tradições que não fazem parte da Bíblia.
A expressão costuma causar confusão porque é usada de maneiras diferentes. Algumas pessoas pensam num futuro papa negro, no sentido da cor da pele. Outras usam “negro” para sugerir que ele seria perverso. Há ainda quem associe a expressão aos jesuítas: o superior dessa ordem religiosa recebeu o apelido de “papa negro” por causa da roupa preta que tradicionalmente usa. Mas esse superior não é o papa, e nenhuma dessas associações é uma profecia bíblica.
Parte da história vem de tentativas de ligar versos enigmáticos de Nostradamus a uma antiga lista atribuída a São Malaquias. O problema é que os textos de Nostradamus não anunciam claramente um “papa negro”, e a lista atribuída a Malaquias não faz parte das Escrituras. Ligar esses materiais a um papa específico exige suposições que a Bíblia não confirma.
Algumas pessoas também recorrem a Apocalipse 17, onde aparece uma mulher sentada sobre uma besta e há uma referência a sete montes (Apocalipse 17:3, 9). Há cristãos que relacionam essa imagem a Roma; outros entendem a passagem de maneiras diferentes. Mesmo entre os que veem ali uma referência a Roma, o texto não identifica um papa, não fala da cor de sua pele e não apresenta a eleição de alguém como sinal de que o fim começou.
Jesus orientou seus seguidores a não se deixarem enganar por afirmações alarmantes sobre o fim e disse que não cabe a nós saber as datas estabelecidas por Deus (Mateus 24:4-6, 36; Atos 1:7). Por isso, se um homem negro vier a ser eleito papa, esse fato, por si só, não terá nenhum significado profético demonstrado pela Bíblia. A resposta segura é não transformar coincidências, apelidos ou textos obscuros em uma previsão que as Escrituras não fazem.