Na Bíblia, vestir pano de saco e usar cinzas era uma maneira visível de mostrar tristeza profunda, aflição ou arrependimento. O significado dependia da situação: alguém podia fazer isso por causa da morte de uma pessoa, diante de uma ameaça grave ou ao reconhecer seus pecados perante Deus.
O pano de saco era um tecido áspero, bem diferente das roupas usadas em ocasiões alegres. Quando Jacó pensou que seu filho José havia morrido, vestiu pano de saco para expressar sua dor (Gênesis 37:34). Nesse caso, o gesto falava de luto, não de arrependimento por algum pecado.
As cinzas também apareciam em momentos de grande sofrimento. Quando os judeus receberam a notícia de um decreto que ameaçava a vida deles, muitos jejuaram, choraram e ficaram em pano de saco e cinzas (Ester 4:1-3). Eles estavam demonstrando a gravidade da situação e sua angústia.
Em outras ocasiões, esses gestos expressavam arrependimento. Foi o que aconteceu em Nínive. Depois de ouvirem a mensagem anunciada por Jonas, os moradores jejuaram, vestiram pano de saco e abandonaram seus maus caminhos (Jonas 3:5-10). O ponto mais importante do relato é que Deus viu o que eles fizeram: deixaram de praticar o mal. O tecido não tinha poder para conseguir o perdão de Deus. Ele mostrava, por fora, a seriedade de uma mudança que precisava acontecer por dentro.
Por isso, “pano de saco e cinzas” não quer dizer sempre a mesma coisa. A expressão pode falar de luto, de desespero diante de uma calamidade ou de arrependimento. Em todos esses casos, era uma forma de deixar claro que a pessoa não estava vivendo um momento comum. Mas, quando se tratava de pecado, o gesto só tinha valor se viesse acompanhado de um arrependimento verdadeiro.