Podem ter amigos próximos, sim. O problema começa quando esse grupo vira uma panelinha: as pessoas só dão atenção umas às outras e tratam quem está de fora como se não tivesse lugar entre elas.
Ninguém consegue ter a mesma intimidade com todo mundo. Jesus escolheu doze apóstolos e, em algumas ocasiões, levou apenas Pedro, Tiago e João com ele (Marcos 5:37; Mateus 10:1). Isso mostra que ter relações mais próximas com algumas pessoas não é errado. Ao mesmo tempo, Jesus não reservava seu cuidado apenas pra esse grupo. Ele ensinava, acolhia e ajudava outras pessoas também (Mateus 4:23; 12:15).
A diferença, então, não é quantos amigos próximos alguém tem, mas como trata quem não faz parte desse círculo. É natural sentar perto de quem conhecemos e passar tempo com pessoas com quem nos damos bem. Mas, se alguém novo chega à igreja e ninguém conversa com ele porque todos estão ocupados apenas com seu próprio grupo, há algo que precisa mudar. Isso também vale quando as pessoas são deixadas de lado por serem mais pobres, menos conhecidas ou simplesmente diferentes. Tiago 2:1 adverte os cristãos contra o favoritismo, e Gálatas 5:14 nos lembra de amar o próximo como a nós mesmos.
Isso não significa que toda amizade precise estar aberta a qualquer pessoa o tempo todo. Amigos precisam de momentos pra conversar com liberdade, e ninguém deve ser obrigado a compartilhar assuntos pessoais com quem acabou de conhecer. A Bíblia também reconhece a necessidade de descanso: Jesus convidou seus discípulos a descansar e, em outra ocasião, afastou-se pra orar (Marcos 6:31, 45-46). Ter limites saudáveis não é o mesmo que desprezar os outros.
Vale fazer uma pergunta sincera: *uma pessoa que não conhece ninguém se sentiria bem recebida entre nós?* Se a resposta for não, talvez seja hora de tomar a iniciativa de cumprimentar, ouvir e incluir alguém. E, se percebemos que temos dado atenção apenas a pessoas que consideramos importantes, precisamos reconhecer esse favoritismo e mudar de atitude.
Portanto, o cristão pode cultivar amizades próximas sem culpa. O que ele não deve fazer é usar essas amizades pra excluir os outros. Na igreja, ninguém precisa ser amigo íntimo de todos, mas todos devem ser tratados com amor e respeito.