A primeira coisa é ouvir. Seu filho acabou de contar algo importante, talvez com medo da sua reação. Você não precisa resolver todas as perguntas naquela conversa. Pode começar dizendo: “Obrigado por confiar em mim. Quero entender o que você está vivendo. Eu amo você e não vou deixar de cuidar de você.”
Depois, procure saber o que ele quer dizer. Há quanto tempo se sente assim? O que tem sido mais difícil? Está sofrendo na escola, em casa ou com o próprio corpo? Falar sobre isso pode envolver questões de identidade, mas também medo, solidão e sofrimento. Antes de corrigir uma conclusão, os pais precisam entender a pessoa que está diante deles.
Para os cristãos, a Bíblia orienta tanto o que dizer quanto como tratar o filho. Gênesis 1:27 ensina que Deus criou a humanidade homem e mulher, ambos à sua imagem. Por isso, muitos cristãos entendem que o sexo não é um detalhe sem importância e não pode ser tratado como se dependesse apenas da percepção pessoal. Ao mesmo tempo, a Bíblia afirma o valor de cada pessoa como alguém criado à imagem de Deus. Essa convicção não dá aos pais licença para humilhar, ameaçar ou afastar um filho.
Há também um cuidado importante ao usar a Bíblia: ela não fala diretamente sobre todas as situações que hoje recebem o nome de transgênero. Portanto, os pais devem ser sinceros sobre suas convicções sem fingir que um único versículo responde a todas as perguntas práticas da família. E não devem presumir que o filho está sendo rebelde, mentindo ou tentando desafiá-los. Ele pode estar tentando explicar uma experiência que ainda não sabe compreender bem.
Efésios 4:15 fala de seguir a verdade em amor. Na vida em família, isso significa que os pais podem dizer com calma o que creem sobre o corpo e a identidade humana, enquanto continuam ouvindo, demonstrando afeto e mantendo a conversa aberta. Amar não exige concordar imediatamente com tudo; discordar não autoriza tratar o filho com dureza. Efésios 6:4 também adverte os pais a não provocarem os filhos à ira enquanto os criam na instrução do Senhor. A maneira de conversar importa.
Evite transformar cada refeição ou encontro numa discussão, ridicularizar o que seu filho sente ou exigir que ele dê respostas que ainda não tem. Continue presente na vida dele. Se a família estiver diante de decisões sobre nome, roupas, escola ou cuidados de saúde, não tome decisões precipitadas nem baseadas só no medo. Procure informações confiáveis e profissionais qualificados que tratem seu filho com respeito e levem a sério tanto sua saúde quanto as convicções da família.
Se seu filho falar em se machucar, em morrer ou parecer estar em perigo imediato, trate isso como uma urgência. Pergunte diretamente se ele pensa em suicídio, não o deixe sozinho se houver risco imediato e busque atendimento de emergência. Levar esse sofrimento a sério não obriga os pais a abandonar suas convicções; é parte do dever de proteger um filho.
Talvez as conversas sejam difíceis e levem tempo. Ainda assim, seu filho precisa saber de uma coisa sem nenhuma dúvida: pode falar com você sem perder seu amor. Pais cristãos devem buscar a verdade com humildade, cuidar da segurança do filho e continuar ao lado dele enquanto procuram, juntos, o melhor caminho.