A primeira resposta deve ser de amor e atenção. Se seu filho decidiu contar isso, escute antes de discutir. Agradeça pela confiança e deixe claro que ele continua sendo seu filho e que você continua a amá-lo. Mesmo que vocês venham a discordar sobre questões importantes, ele não deve precisar adivinhar se ainda é bem-vindo perto de você.
Isso não exige que os pais deixem de lado suas convicções. Exige que tratem o filho como pessoa, e não como um problema a resolver. Tiago 1:19 aconselha a ouvir com atenção e a não falar precipitadamente. Esse é um bom começo, sobretudo se a conversa for difícil pra todos.
Depois, procure entender o que ele quis dizer. Talvez esteja falando de uma atração que sente há muito tempo; talvez queira contar sobre um relacionamento; talvez esteja tentando descobrir como falar de si mesmo. Perguntas sinceras podem ajudar, mas ele não precisa responder a um interrogatório, muito menos dar detalhes íntimos. É melhor perguntar “Como você tem se sentido?” e “O que você gostaria que eu entendesse?” do que tirar conclusões antes de ouvi-lo.
Pais cristãos também podem explicar suas convicções com honestidade. Na compreensão cristã tradicional, a Bíblia apresenta o casamento de um homem e uma mulher como o lugar pra relação sexual (Gênesis 2:24; Mateus 19:4-6). Há cristãos que interpretam de outra forma as passagens sobre relações entre pessoas do mesmo sexo, mas os pais não precisam fingir que uma divergência dessas não existe. Podem dizer o que creem, por que creem e, ao mesmo tempo, ouvir o filho sem transformar toda conversa numa discussão.
É importante não confundir atração, comportamento e fé. Sentir atração por alguém do mesmo sexo não é a mesma coisa que escolher ter uma relação sexual. Também não dá pra saber, só porque seu filho disse “sou gay”, o que ele pensa sobre Deus ou como está sua vida espiritual. Não tente resolver tudo discutindo qual palavra ele deve usar pra falar de si mesmo. Primeiro, entenda o que ele está vivendo.
Acima de tudo, não trate essa questão como se fosse o único assunto da vida dele ou como se você não tivesse seus próprios pecados e sua própria necessidade da graça de Deus. Jesus ensinou seus seguidores a reconhecer as próprias falhas antes de corrigir outra pessoa (Mateus 7:3-5). E Paulo orienta os cristãos a falar a verdade com amor (Efésios 4:15). Amor não é esconder o que se crê; verdade não é licença pra humilhar.
Por isso, evite ameaças, insultos, exposição da intimidade dele e tentativas de forçar uma mudança. Se precisar de apoio, procure alguém maduro e discreto, respeitando a confiança que seu filho depositou em você. Continue presente: conversem, convivam, interessem-se pelas outras partes da vida dele e orem por ele. Se houver muita dor ou conflito entre vocês, pode ser útil buscar ajuda de um profissional qualificado que trate seu filho com respeito.
A parábola do filho pródigo mostra um pai disposto a receber o filho com amor (Lucas 15:11-32). Ela não foi contada especificamente sobre essa situação, e seria errado usá-la pra presumir que todo filho gay esteja afastado de Deus. Mas ela ajuda a lembrar algo essencial: pais não controlam o coração dos filhos. Podem, porém, escolher ser pais que amam, escutam, falam com honestidade e mantêm a porta da conversa aberta.