Não. Em Mateus 23:9, Jesus não estava proibindo uma pessoa de chamar seu pai de “pai”. Ele estava alertando contra dar a um líder religioso uma importância que pertence somente a Deus.
O contexto ajuda a entender. Jesus falava de mestres religiosos que gostavam de receber reconhecimento, ocupar lugares de destaque e ser tratados como superiores aos outros (Mateus 23:1-12). Por isso, no mesmo trecho, ele também diz que seus seguidores não devem buscar títulos como “mestre”. A conclusão de Jesus mostra o que ele queria corrigir: entre seus discípulos, ninguém deveria se exaltar; quem quisesse ser grande deveria servir.
Isso não significa que toda vez que alguém usa a palavra *pai* ou *mestre* está desobedecendo a Jesus. A própria Bíblia manda honrar pai e mãe (Êxodo 20:12), e Paulo chama Abraão de pai dos que creem (Romanos 4:11-12). Paulo também fala dos cristãos de Corinto como seus filhos, porque havia anunciado o evangelho a eles (1 Coríntios 4:14-15). Ele não estava tomando o lugar de Deus; estava descrevendo uma relação de cuidado e ensino.
E quanto a chamar um padre de “pai”? O simples uso dessa palavra não basta pra dizer que alguém desobedeceu a Mateus 23:9. Para os católicos, ela expressa o cuidado espiritual que esperam do sacerdote. Outros cristãos preferem não usar esse tratamento, por entenderem que ele pode dar destaque excessivo a um líder religioso. Essa preocupação merece ser levada a sério, mas o versículo não permite concluir que pronunciar o título, por si só, seja pecado.
A pergunta mais importante é o que esse tratamento significa na prática. Se um líder é colocado acima da correção, tratado como indispensável pra se chegar a Deus ou recebe a confiança que deve ser dada a Cristo, a advertência de Jesus se aplica. Mas ela também se aplica a igrejas que não chamam seus líderes de “pai”, caso os tratem dessa maneira.
Assim, você pode chamar seu pai terreno de “pai” sem receio. Quanto aos títulos religiosos, Jesus nos chama a olhar além da palavra: nenhum líder deve buscar a posição de superioridade que ele condenou, e nenhum cristão deve dar a uma pessoa o lugar que pertence a Deus.