Jesus chamou Satanás de “pai da mentira” porque mentir faz parte do seu modo de agir. Em João 8:44, ele diz que o diabo não permanece na verdade e que, quando mente, fala de acordo com a própria natureza. A expressão “pai da mentira” mostra, portanto, que Satanás é uma fonte de engano, não alguém em quem se pode confiar.
A conversa em João 8 ajuda a entender por que Jesus disse isso. Ele falava com pessoas que afirmavam ter Deus como Pai, mas rejeitavam suas palavras e queriam matá-lo. Jesus não estava dizendo que elas eram literalmente filhas de Satanás. Estava mostrando que suas atitudes se pareciam com as dele: recusavam a verdade e desejavam a morte de Jesus. Por isso, no mesmo versículo, Jesus chama o diabo de mentiroso e homicida.
O que aconteceu no jardim do Éden mostra bem essa maneira de agir. Deus havia proibido Adão e Eva de comer do fruto de uma árvore e avisado que a desobediência traria a morte. A serpente primeiro colocou a palavra de Deus em dúvida; depois, negou diretamente o que Deus tinha dito (Gênesis 2:16-17; 3:1-5). O engano não foi só uma informação falsa. Ele levou Eva a desconfiar de Deus e a desobedecer. Adão também comeu do fruto. É nesse sentido que a mentira e a morte aparecem ligadas nesse relato.
Isso não quer dizer que Satanás tenha contado *toda* mentira que já foi dita, nem que cada pessoa que mente esteja ouvindo diretamente a voz dele. Nós somos responsáveis pelas nossas próprias palavras. O ponto de Jesus é que o engano é característico do diabo. Ele pode até apresentar algo falso de um jeito atraente ou convincente, como Paulo alerta em 2 Coríntios 11:14.
Por isso, essa fala de Jesus serve como um alerta: nem tudo que parece bom é verdadeiro, e uma mentira pode nos afastar daquilo que Deus disse. Mas a resposta não é viver com medo de Satanás. É ouvir Jesus. Na mesma conversa, ele ensina que conhecer a verdade traz liberdade (João 8:31-32). E, em João 14:6, ele se apresenta como a verdade. Satanás engana; Jesus nos chama a confiar nele e a viver na verdade.