Jesus estava falando de pessoas que precisavam de cuidado e orientação espiritual, mas não estavam recebendo isso de quem deveria ajudá-las. Ao ver as multidões, ele percebeu que estavam aflitas e desamparadas. A comparação com ovelhas sem pastor mostra como aquela situação era séria: sem alguém que cuide delas, as ovelhas ficam vulneráveis e podem se perder.
Isso não significa que aquelas pessoas não tivessem líderes religiosos. Elas tinham. O problema é que muitos desses líderes não cuidavam do povo como deveriam. Mais tarde, Jesus criticou os que colocavam exigências pesadas sobre as pessoas, mas não as ajudavam a suportá-las (Mateus 23:4). Em vez de encontrar orientação e cuidado, muita gente encontrava ainda mais peso.
A imagem que Jesus usou já aparecia no Antigo Testamento. Deus comparou seu povo a um rebanho e repreendeu os líderes que cuidavam de si mesmos, mas deixavam de fortalecer os fracos e procurar os que tinham se perdido (Ezequiel 34:2-6). Essa passagem ajuda a entender Mateus 9:36: Jesus não estava apenas dizendo que a multidão parecia cansada. Ele via pessoas que precisavam de alguém que realmente se importasse com elas e as conduzisse a Deus.
O mais importante é a maneira como Jesus reagiu. Ele sentiu compaixão e passou a agir em favor daquelas pessoas: ensinou, anunciou as boas notícias do Reino e curou os doentes (Mateus 9:35-36). Depois, pediu aos discípulos que orassem por mais trabalhadores pra cuidar daquela grande necessidade (Mateus 9:37-38). Em João 10:11, Jesus se apresenta como o bom pastor, aquele que não abandona as ovelhas, mas dá a vida por elas.
Então, “ovelhas sem pastor” não é uma forma de desprezar a multidão. É uma maneira de mostrar a necessidade que Jesus enxergou nela — e o cuidado que ele estava disposto a oferecer. A passagem também lembra aos líderes cristãos que sua responsabilidade é cuidar das pessoas, não usar sua posição em benefício próprio (1 Pedro 5:2-3).