João está dizendo que Jesus veio ao povo de Israel, mas muitos entre os seus não o aceitaram como o Messias enviado por Deus. Isso não quer dizer que todos os judeus o rejeitaram. Os primeiros discípulos de Jesus eram judeus. O versículo fala da rejeição que ele encontrou entre o próprio povo ao qual veio.
O começo do Evangelho de João ajuda a entender por que isso é tão marcante. João apresenta Jesus como aquele que estava com Deus antes da criação e por meio de quem o mundo foi feito (João 1:1–3). Depois diz que ele entrou nesse mundo, mas o mundo não o reconheceu (João 1:10). Em seguida, a ideia fica mais específica: Jesus veio ao que era seu, e os seus não o receberam (João 1:11). O mundo já lhe pertencia como Criador; Israel, além disso, era o povo com quem Deus havia feito uma aliança e a quem havia dado suas promessas.
“Não o receberam” não significa que ninguém percebeu que Jesus estava ali. As pessoas ouviram seus ensinamentos, viram o que ele fez e tiveram de decidir o que pensar dele. Muitos não aceitaram quem ele dizia ser. No próprio Evangelho de João, vemos tanto pessoas que passaram a crer nele quanto outras que se opuseram a ele (João 7:40–43; 11:45–53).
João não termina, porém, na rejeição. Logo depois, ele diz que aqueles que receberam Jesus e creram nele receberam o direito de se tornar filhos de Deus (João 1:12–13). Então o sentido do trecho é este: Jesus não foi recebido por muitos do seu próprio povo, mas a oportunidade de crer nele continuou aberta. E João mostra que pertencer à família de Deus não depende apenas de nascer entre os descendentes de Israel; depende de receber Jesus pela fé.