Alguns acreditam, mas não existe uma resposta única para todos os judeus. A dúvida fica mais clara quando perguntamos o que a palavra “inferno” quer dizer. Se estamos falando de um lugar de castigo eterno, muitos judeus não aceitam essa ideia. Mas, se a pergunta é se o judaísmo ensina que Deus julga as pessoas depois da morte, muitas tradições judaicas dizem que sim.
No judaísmo tradicional, existe a esperança de que Deus ressuscite os mortos e faça justiça. Essa crença já era discutida nos tempos de Jesus: os fariseus criam na ressurreição, enquanto os saduceus a rejeitavam (Atos 23:8). O Antigo Testamento também fala de pessoas que ressuscitarão para a vida e de outras que enfrentarão vergonha e desprezo (Daniel 12:2). Por isso, não seria correto dizer que o julgamento após a morte é simplesmente uma ideia cristã, sem relação com as Escrituras judaicas.
Uma palavra importante nessa conversa é Gehinnom. Ela vem do nome de um vale perto de Jerusalém, associado no Antigo Testamento a práticas terríveis, como o sacrifício de crianças (2 Reis 23:10). Em ensinamentos judaicos posteriores, o nome passou a ser usado para falar de punição ou purificação depois da morte. Muitos rabinos a descrevem como temporária para a maioria das pessoas, e não como um castigo eterno para todos os que passam por ela. Há também diferenças entre judeus sobre o que acontece com os profundamente maus.
É bom não confundir Gehinnom com Sheol. No Antigo Testamento, “Sheol” costuma se referir ao lugar dos mortos ou à condição de quem morreu. A palavra não significa, por si só, um lugar onde as pessoas são purificadas depois da morte. Também não dá pra concluir que todo judeu hoje siga os ensinamentos rabínicos sobre Gehinnom: alguns têm outras interpretações, e outros não creem numa vida após a morte.
Do ponto de vista cristão, a questão vai além de saber se existe punição depois da morte. O Novo Testamento ensina que haverá ressurreição e julgamento (João 5:28-29), e que a vida eterna é recebida por meio de Jesus Cristo, não conquistada por uma pessoa que consegue compensar os próprios pecados (Efésios 2:8-9).
Então, a resposta mais precisa é: o judaísmo possui ensinamentos sobre julgamento após a morte, mas os judeus não concordam entre si sobre o “inferno” — nem todos usam essa palavra para falar da mesma coisa.