Segundo a Bíblia, sim. Os demônios não aparecem nela como personagens inventados pra explicar coisas assustadoras. Nos Evangelhos, Jesus encontra pessoas atormentadas por espíritos malignos e ordena que esses espíritos saiam delas (Marcos 1:23-27; Lucas 8:26-33). Esses relatos tratam os demônios como seres reais, distintos das pessoas que afligiam.
A Bíblia também os chama de “espíritos impuros” ou “espíritos malignos”. A compreensão cristã mais comum é que eles são anjos que se rebelaram contra Deus. Há passagens que falam de anjos que pecaram, e Jesus menciona o Diabo e seus anjos (2 Pedro 2:4; Mateus 25:41). A Bíblia, porém, não conta em detalhes como aconteceu essa rebelião. Por isso, não convém afirmar mais do que esses textos dizem.
Isso também ajuda a separar a Bíblia das imagens dos filmes. As Escrituras não descrevem demônios com chifres, garras ou uma aparência física definida. O perigo que elas destacam não é a aparência deles, mas sua oposição a Deus e sua influência sobre as pessoas.
Ao mesmo tempo, nem todo sofrimento tem origem demoníaca. Mateus 4:24, por exemplo, menciona pessoas com doenças e pessoas endemoninhadas como grupos distintos. Seria errado olhar pra alguém doente, com medo ou enfrentando problemas e concluir que há um demônio por trás disso. A Bíblia não nos autoriza a fazer esse tipo de diagnóstico.
Por fim, os demônios não têm poder igual ao de Deus. Nos Evangelhos, eles obedecem às ordens de Jesus. E, quando os discípulos se alegraram por terem autoridade sobre espíritos malignos, Jesus os orientou a dar mais importância ao fato de pertencerem a Deus (Lucas 10:17-20). Portanto, a resposta bíblica é clara: os demônios existem, mas não precisamos viver fascinados por eles nem dominados pelo medo. O centro da fé cristã é Jesus, que tem autoridade sobre eles.