Em Amós 8:7, “Jacó” é uma maneira de falar do povo de Israel, que descendia dele. A dúvida está na palavra “orgulho”: ela se refere ao orgulho pecaminoso dos israelitas ou àquele de quem Israel deveria se orgulhar, o próprio Deus? As duas interpretações existem, e o versículo não resolve a questão de forma indiscutível.
A diferença aparece nas traduções. Algumas dizem que o Senhor jurou pelo orgulho de Jacó. Nesse caso, a expressão pode ser entendida como um título de Deus: ele jurou por si mesmo. Isso combina com outras passagens em que Deus faz um juramento por si mesmo, já que não há ninguém maior por quem jurar (Hebreus 6:13).
Outras traduções dizem que o Senhor jurou contra o orgulho de Jacó. Essa leitura chama atenção para Amós 6:8, onde Deus diz que detesta o orgulho de Israel. O povo confiava em sua riqueza e em sua segurança, enquanto vivia de um jeito que Deus condenava. Por isso, alguns entendem que, em Amós 8:7, o juramento é uma declaração contra esse orgulho.
O contexto ajuda a entender por que o juramento era tão sério. Pouco antes, Amós denuncia comerciantes que exploravam os pobres, alteravam pesos e medidas e pensavam apenas em voltar a vender para lucrar mais (Amós 8:4-6). Então Deus declara que não se esquecerá do que eles fizeram. Ele não estava ignorando aquela injustiça, mesmo que os responsáveis continuassem agindo como se nada fosse acontecer.
Assim, não é preciso ter certeza sobre qual das duas interpretações de “orgulho de Jacó” é a correta pra entender a mensagem principal: Deus levaria a sério os pecados de Israel e julgaria a injustiça praticada pelo povo.