Algumas palavras do rosário vêm da Bíblia, mas a Bíblia não ensina a dirigir orações a Maria. Essa é a distinção principal. Uma coisa é reconhecer o lugar especial que Maria teve na história de Jesus; outra é pedir a ela que ouça nossas orações e interceda por nós no céu.
Na oração da Ave-Maria, por exemplo, aparecem palavras ligadas ao anúncio do anjo a Maria e à saudação de Isabel (Lucas 1:28, 42). A própria Maria disse que as gerações a chamariam de bem-aventurada (Lucas 1:48). Por isso, honrá-la como a mãe de Jesus e como uma mulher que confiou em Deus tem fundamento bíblico. O rosário também convida a pessoa a pensar em acontecimentos da vida de Jesus, e refletir sobre a vida dele é algo bom.
A dúvida começa na parte em que se pede a Maria que ore por nós, e também em expressões da Salve-Rainha que a chamam de nossa advogada e nossa esperança. Os católicos explicam que não estão adorando Maria: entendem esse pedido como algo parecido com pedir a outro cristão que ore por eles. Essa diferença entre adoração e pedido de intercessão deve ser levada a sério. Ainda assim, pedir oração a alguém que vive conosco não é a mesma coisa que dirigir uma oração a alguém que está no céu. A Bíblia mostra cristãos orando uns pelos outros, mas não apresenta um exemplo claro de cristãos fazendo pedidos a Maria depois da morte dela.
Quando Jesus ensinou seus discípulos a orar, orientou-os a falar com o Pai (Mateus 6:9). E o Novo Testamento aponta Jesus como aquele por meio de quem podemos nos aproximar de Deus. Ele é chamado de nosso único mediador e de nosso advogado junto ao Pai (1 Timóteo 2:5; 1 João 2:1). Por isso, na compreensão evangélica, não precisamos pedir a Maria ou a qualquer outro santo que nos represente diante de Deus. Podemos orar diretamente ao Pai, por meio de Jesus.
Isso não significa que toda palavra aplicada a Maria no rosário tenha o mesmo peso. A Bíblia chama os seguidores de Jesus de santos; portanto, usar a palavra “santa” não quer dizer, por si só, que uma pessoa seja igual a Deus. Também não seria correto dizer que Maria certamente pecou *apenas* porque chamou Deus de seu Salvador (Lucas 1:47): católicos entendem que Deus a salvou de modo preventivo. A questão é que a Bíblia não ensina expressamente essa explicação nem apresenta Maria como alguém a quem devemos dirigir nossas orações.
E a repetição do rosário? Jesus condenou as orações feitas com palavras vazias, como se falar muito obrigasse Deus a atender (Mateus 6:7). Isso não torna errada toda oração repetida; o problema é tratar a repetição como algo que, por si só, dá força à oração.
Portanto, a resposta mais precisa é: o rosário contém palavras e temas bíblicos, mas a prática de orar a Maria não é ensinada na Bíblia. Podemos respeitar e admirar Maria pelo que Deus fez na vida dela. Pra pedir ajuda, perdão e cuidado, porém, o caminho que o Novo Testamento nos mostra é falar com Deus por meio de Jesus.