A oração centrante é uma prática de silêncio. Em geral, a pessoa se senta por alguns minutos e escolhe uma palavra curta que represente sua disposição de estar diante de Deus. Quando percebe que se distraiu, volta a essa palavra. A intenção não costuma ser pensar no significado dela nem repeti-la como um pedido, mas usá-la pra retornar ao silêncio.
Quem pratica a oração centrante costuma vê-la como uma maneira de se aquietar e ficar receptivo à presença de Deus. Ela está ligada a tradições cristãs de oração contemplativa, mas não deve ser confundida com a *lectio divina*, que é uma prática de leitura e reflexão sobre um texto bíblico.
A Bíblia não ensina a oração centrante como um método de oração. Quando Jesus ensinou seus discípulos a orar, ele lhes deu palavras com sentido: louvor a Deus, pedidos por necessidades diárias, perdão e ajuda diante da tentação (Mateus 6:9-13). Paulo também ensinou os cristãos a apresentar seus pedidos a Deus com gratidão (Filipenses 4:6). Isso não significa que toda oração precise ser longa ou feita em voz alta. Significa que, nas passagens em que a Bíblia nos ensina a orar, a pessoa se dirige a Deus com pensamentos e palavras que entende.
Isso também não torna o silêncio algo errado. Podemos ficar em silêncio pra nos concentrar antes de orar ou pra refletir no que lemos nas Escrituras. E uma oração curta pode ser sincera e profunda. O cuidado está em não tratar o silêncio, ou o uso de uma palavra pra voltar a ele, como um caminho ensinado pela Bíblia pra alcançar uma experiência especial com Deus.
Às vezes, a advertência de Jesus contra as “vãs repetições” é usada pra condenar a oração centrante (Mateus 6:7). Mas esse versículo não proíbe simplesmente repetir palavras: o próprio Jesus repetiu uma oração quando estava angustiado (Mateus 26:44). Sua advertência era contra a ideia de que muitas palavras, por si só, fariam Deus ouvir. Por isso, a crítica mais precisa à oração centrante não é dizer que toda repetição é errada, e sim reconhecer que esse método não aparece nos ensinamentos bíblicos sobre oração.
Então, se a dúvida é “preciso praticar a oração centrante pra me aproximar de Deus?”, a resposta é não. Podemos nos achegar a ele sem depender de uma técnica: lendo sua Palavra, pensando no que ela diz e falando com ele com sinceridade — inclusive quando não sabemos expressar bem o que sentimos (Romanos 8:26).