Oolá e Oolibá não são duas mulheres que viveram na época de Ezequiel. São nomes que Deus usa, em Ezequiel 23, pra falar de dois povos: Oolá representa Samaria, capital do reino de Israel; Oolibá representa Jerusalém, capital do reino de Judá. O próprio capítulo faz essa identificação (Ezequiel 23:4).
Por que chamá-las de irmãs? Porque Israel e Judá tinham sido um só povo. Depois que o reino se dividiu, Israel ficou ao norte e Judá, ao sul. Ezequiel conta a história dos dois como se fosse a história de duas irmãs que se tornaram infiéis.
Essa infidelidade não é um caso de adultério entre pessoas. É uma forma forte de mostrar que os dois reinos deixaram de confiar no Senhor. Eles adoraram outros deuses e buscaram proteção em nações estrangeiras, em vez de permanecer fiéis a Deus. O capítulo usa imagens sexuais bastante explícitas pra mostrar a gravidade disso.
Oolá, que representa Samaria e o reino do norte, procurou a Assíria e se envolveu com seus ídolos (Ezequiel 23:5-8). O resultado foi que a própria Assíria a conquistou. Isso aconteceu quando o reino de Israel caiu e muitos dos seus habitantes foram levados embora, como conta 2 Reis 17.
Oolibá, que representa Jerusalém e Judá, viu o que aconteceu com sua irmã, mas não aprendeu. Ezequiel diz que ela também se voltou pra outros povos e seus ídolos, incluindo os da Babilônia (Ezequiel 23:11-21). Por isso, Deus anunciou que Jerusalém sofreria o julgamento das mãos dos babilônios. A cidade acabou sendo destruída, e parte do povo foi levada ao exílio.
Os nomes ajudam a entender a comparação. Oolá pode ser entendido como “a tenda dela”; Oolibá, como “minha tenda está nela”. O segundo nome combina com Jerusalém, onde ficava o templo do Senhor. Mas ter o templo na cidade não tornava Judá fiel: Ezequiel diz que o povo chegou a contaminar o santuário e a sacrificar seus filhos a ídolos (Ezequiel 23:37-39).
Então, a mensagem do capítulo é mais do que um relato sobre dois reinos antigos. Israel e Judá conheciam o Senhor, mas escolheram outros deuses e outras fontes de segurança. Oolibá é especialmente advertida porque viu o que aconteceu com Oolá e repetiu seus erros. A história mostra que Deus leva a sério a infidelidade do seu povo — e que conhecer a história de quem caiu não adianta se a gente se recusa a aprender com ela.