Onanismo é uma palavra que vem do nome de Onã, um homem mencionado em Gênesis 38. Hoje, ela pode ser usada com sentidos diferentes: algumas pessoas a usam pra falar de masturbação; outras, do *coito interrompido*, quando o homem interrompe a relação sexual antes de ejacular. Por isso, antes de dizer se “onanismo” é pecado, é importante entender o que Onã realmente fez.
Onã tinha um irmão chamado Er. Er morreu sem deixar filhos, e Tamar, sua mulher, ficou viúva. Naquela época, havia o costume de um irmão do falecido ter um filho com a viúva, pra que a família do irmão morto tivesse continuidade. Mais tarde, a lei dada a Israel tratou dessa responsabilidade em Deuteronômio 25:5-10.
Judá, pai de Onã, mandou que ele cumprisse esse dever com Tamar. Onã, porém, sabia que o filho gerado nessa união seria considerado descendente de seu irmão. Então, embora tivesse relações com Tamar, evitava que ela engravidasse. Deus considerou mau o que ele fez e o matou (Gênesis 38:8-10).
O ponto principal do relato não é simplesmente que Onã derramou sêmen fora do corpo de Tamar. Ele aceitou se relacionar com ela, mas se recusou a cumprir a responsabilidade que tinha assumido. Com isso, agiu de modo injusto com Tamar e com a família de seu irmão. A passagem não diz que Onã se masturbou, nem apresenta sua morte como uma condenação de todo uso do coito interrompido.
Isso não significa que a Bíblia considere sem importância as decisões de um casal sobre sexo e filhos. Elas devem ser tomadas com amor, honestidade e respeito mútuo, não por egoísmo ou para prejudicar o outro. Mas Gênesis 38, por si só, não permite afirmar que todo casal que evita uma gravidez comete o pecado de Onã.
Se a dúvida for especificamente sobre masturbação, essa é uma questão diferente. O episódio de Onã não responde a ela, porque não descreve masturbação. Nesse assunto, é preciso avaliar separadamente questões como desejos, pensamentos e domínio próprio, sem dizer que Gênesis 38 ensina algo que ele não ensina.
Assim, a resposta depende do sentido dado à palavra: Onã pecou, mas seu pecado não foi simplesmente o ato físico que passou a ser chamado de “onanismo”. O relato mostra sua recusa deliberada e injusta de cumprir seu dever com Tamar.