A Bíblia fala do óleo da unção de duas maneiras que é importante não confundir. No Antigo Testamento, Deus mandou preparar um óleo especial para separar sacerdotes e objetos do tabernáculo para o serviço dele. No Novo Testamento, também encontramos pessoas usando óleo ao cuidar de doentes. Em nenhum dos casos a Bíblia diz que o óleo tem poder por si mesmo.
Deus deu a Moisés instruções para preparar o óleo usado no tabernáculo, o lugar onde Israel prestava culto. Ele era feito com azeite e especiarias. Sacerdotes e objetos usados no culto eram ungidos para mostrar que tinham sido separados para Deus. Por isso, aquele óleo não podia ser reproduzido para uso pessoal nem tratado como um produto comum (Êxodo 30:22-33). O que o tornava especial não era algum poder escondido nos ingredientes, mas o propósito que Deus havia dado a ele.
Isso ajuda a entender a palavra *unção*. Ungir é aplicar óleo em alguém ou em alguma coisa. Dependendo da passagem, o gesto podia indicar que uma pessoa havia sido separada para uma tarefa, expressar honra ou fazer parte do cuidado com alguém. Não devemos presumir que toda menção a óleo na Bíblia tenha o mesmo significado.
E quanto aos cristãos hoje? O Novo Testamento não manda fazer nem usar o óleo especial de Êxodo. Mas ele menciona o uso de óleo quando há enfermos. Os discípulos de Jesus ungiam pessoas doentes com óleo e as curavam (Marcos 6:13). Tiago orienta o cristão que estiver doente a chamar os presbíteros da igreja. Eles devem orar por ele e ungi-lo com óleo em nome do Senhor (Tiago 5:14-15). Assim, usar óleo nessa situação tem fundamento bíblico. Ao mesmo tempo, Tiago dirige a confiança de quem ora ao Senhor, não ao óleo ou a uma receita especial.
A Bíblia também fala de unção sem se referir a um frasco de óleo. Quando João diz que os cristãos receberam uma unção do Santo, ele está falando daquilo que receberam de Deus e que os ajuda a permanecer na verdade sobre Cristo (1 João 2:20, 27). Não é uma instrução pra comprar ou preparar óleo.
Então, um cristão pode usar óleo ao orar por uma pessoa enferma, como Tiago orienta. O cuidado é não tratar esse óleo como se tivesse poder automático, nem prometer uma cura que a passagem não nos autoriza a garantir. A confiança de quem ora deve estar em Deus.