Em Malaquias 1:8, Deus repreende o povo por levar ao altar animais cegos, aleijados ou doentes. A Lei exigia animais sem esses defeitos para o sacrifício (Levítico 22:22; Deuteronômio 15:21). Mas havia um problema mais profundo que a desobediência a uma regra: o povo entregava a Deus aquilo que não daria nem a um governador. Por meio de Malaquias, Deus mostra que aquelas ofertas revelavam falta de respeito por ele.
Isso não quer dizer que Deus precisava dos melhores animais do rebanho. Ele queria que o povo o honrasse de verdade. Os sacerdotes também tinham responsabilidade nisso: em vez de rejeitar aqueles sacrifícios, aceitavam-nos no altar (Malaquias 1:6-14).
Hoje não levamos animais a Deus. Jesus ofereceu a si mesmo de uma vez por todas, tornando desnecessários os sacrifícios de animais (Hebreus 10:10-14). Pedro o apresenta como um cordeiro sem defeito (1 Pedro 1:18-19). Por isso, levar a Deus uma oferta “sem defeito” hoje não significa tentar alcançar uma vida perfeita pra merecer sua aceitação. Nossa salvação é um presente recebido pela fé em Cristo, não uma recompensa pelo nosso desempenho (Efésios 2:8-9).
O que Deus pede de quem pertence a Cristo é uma vida entregue a ele. É nesse sentido que Romanos 12:1 fala em oferecer o próprio corpo como sacrifício vivo: honrar a Deus nas escolhas, no trato com as pessoas, no uso do dinheiro e também no culto. Não basta participar de uma reunião ou contribuir financeiramente se, fora dali, escolhemos ignorar o que Deus diz.
Isso não significa que um cristão só pode se aproximar de Deus quando não comete mais erros. Quando pecamos, podemos confessar nosso pecado e receber seu perdão (1 João 1:9). A diferença está entre reconhecer o erro e querer mudar, ou continuar nele sem se importar com a vontade de Deus.
A pergunta de Malaquias continua útil: estamos dando a Deus atenção e obediência sinceras, ou apenas cumprindo uma obrigação religiosa? Oferecer a ele o nosso melhor é responder ao que Cristo fez por nós com uma vida que busca honrá-lo de verdade.