Jesus quis dizer que, neste mundo, seus seguidores vão encontrar situações e pessoas que podem levá-los a pecar ou a abandonar a fé. Isso é o que ele chama de *tropeços*. Mas “inevitáveis” não significa aceitáveis. No mesmo versículo, Jesus adverte que quem causa esses tropeços terá de responder pelo que fez.
O contexto ajuda a entender a força dessa advertência. Pouco antes, Jesus fala dos “pequeninos que creem” nele e alerta contra fazer um deles tropeçar (Mateus 18:6). Ele não está tratando de qualquer comentário que desagrade alguém. Está falando de algo mais grave: influenciar uma pessoa a fazer o que é errado ou prejudicar sua confiança nele. Por isso, ele usa uma imagem muito forte pra mostrar a seriedade de levar outra pessoa ao pecado.
Talvez surja uma dúvida: se Jesus disse que esses tropeços são inevitáveis, a pessoa que os causa não estaria apenas fazendo algo que tinha de acontecer? Não. Jesus afirma as duas coisas ao mesmo tempo: os tropeços virão, e quem os causa é responsável por suas escolhas. Saber que haverá pecado no mundo não torna ninguém inocente por incentivar o pecado.
Em seguida, Jesus chama cada pessoa a olhar também pra própria vida. Ao falar de cortar a mão ou o pé que leva alguém a tropeçar, ele não está mandando ninguém se ferir. Sua linguagem forte mostra que é preciso abandonar com seriedade aquilo que nos leva a pecar, mesmo quando parece difícil abrir mão disso (Mateus 18:8–9).
Assim, Mateus 18:7 não é um convite pra aceitar o mal como se nada pudesse ser feito. É um aviso pra não levar outros ao pecado e, ao mesmo tempo, pra não tratar com descuido aquilo que pode nos afastar de Jesus. Os tropeços existem, mas não precisamos nos entregar a eles: Deus é fiel e ajuda os seus a resistir à tentação (1 Coríntios 10:13).