Significa reconhecer que o mal é realmente mau e aprender a rejeitá-lo, em vez de tratá-lo como algo normal ou aceitável. Mas isso não nos dá licença pra odiar pessoas. Provérbios 6:16–19 ajuda a entender a diferença.
Nessa passagem, Deus condena sete coisas: o orgulho, a mentira, os planos para prejudicar outros, a violência contra inocentes, a disposição de correr pra fazer o mal, o falso testemunho e a atitude de provocar brigas entre as pessoas. A lista mostra tanto o que alguém faz quanto o que se passa dentro dela. Deus se importa com a verdade, com a justiça e com a maneira como tratamos uns aos outros.
Por isso, odiar o que Deus odeia começa perto de nós. É fácil condenar a mentira dos outros; é mais difícil admitir quando escondemos a verdade. É fácil reclamar de quem causa conflitos; é mais difícil perceber quando nossas palavras pioram uma briga. O chamado de Provérbios não é pra procurarmos pessoas a quem desprezar, mas pra levarmos a sério esses pecados, inclusive quando aparecem em nossa vida.
Isso também explica por que odiar o mal não é o mesmo que sentir raiva de quem erra. Jesus ensinou seus seguidores a amar até os inimigos e a orar por eles (Mateus 5:43–44). Podemos nos opor com firmeza a uma injustiça, proteger quem está sendo prejudicado e dizer a verdade sobre o que aconteceu, sem desejar vingança nem tratar o culpado como alguém incapaz de se arrepender. O próprio Jesus confrontava o pecado e, ao mesmo tempo, chamava pecadores ao arrependimento.
A Bíblia usa palavras fortes pra mostrar como Deus se opõe ao pecado e à rebelião contra ele. Não devemos reduzir isso à ideia de que o mal pouco importa pra Deus. Mas também não devemos usar a indignação de Deus como desculpa pro nosso rancor. Nós não conhecemos perfeitamente o coração de ninguém, e precisamos da misericórdia de Deus tanto quanto as outras pessoas.
Então, na prática, odiar o que Deus odeia é recusar a mentira sem desprezar o mentiroso, combater a injustiça sem buscar vingança e rejeitar o pecado sem perder o amor pelas pessoas. É pedir a Deus que nos ajude a amar o que é bom e a abandonar o que é mau, começando por nós mesmos (Romanos 12:9; Salmo 97:10).