Jesus não estava mandando ninguém sentir ódio dos pais, maltratá-los ou deixar de cuidar deles. Ele estava dizendo que segui-lo precisa ser mais importante até do que os laços de família. Se chegar o momento de escolher entre fazer a vontade da família e permanecer fiel a Jesus, o discípulo deve escolher Jesus.
Essa é uma palavra forte, e Jesus a usou de propósito. Em Lucas 14:26, ele fala não só de pai e mãe, mas também de cônjuge, filhos, irmãos e até da própria vida. Logo depois, diz que quem quer segui-lo precisa estar disposto a carregar a própria cruz e pensar no custo dessa decisão antes de tomá-la (Lucas 14:27-33). O assunto, portanto, não é desprezar pessoas queridas. É estar disposto a continuar com Jesus mesmo quando isso trouxer perdas ou sofrimento.
Mateus registra o mesmo ensino de uma forma mais direta: quem ama pai ou mãe mais do que ama Jesus não pode ser seu discípulo (Mateus 10:37). Isso ajuda a entender o sentido de “odiar” em Lucas: não se trata de sentir aversão, mas de colocar Jesus em primeiro lugar.
Pense numa situação dolorosa: os pais de alguém exigem que essa pessoa abandone a fé pra manter a aprovação da família. Ela pode continuar amando os pais, falando com respeito e ajudando no que puder. Mas não deve abandonar Jesus pra agradá-los. É esse tipo de escolha que Jesus quer que seus seguidores estejam preparados pra fazer.
Isso não cancela o dever de honrar pai e mãe. O próprio Jesus condenou quem usava uma desculpa religiosa pra deixar de ajudá-los (Marcos 7:9-13). Paulo também ensinou que o cristão deve cuidar da sua família (1 Timóteo 5:8). Seguir Jesus não é permissão pra tratar os parentes com frieza ou negligência.
Então a resposta é simples, embora nem sempre seja fácil de viver: Jesus quer que amemos nossa família e cuidemos dela, mas que não coloquemos ninguém acima dele.