Quando Paulo fala em “obras da lei”, ele se refere às coisas que alguém faz para cumprir a Lei dada por Deus a Israel por meio de Moisés. Essa Lei incluía mandamentos sobre circuncisão, alimentação e dias especiais, mas também mandamentos sobre a maneira de tratar as pessoas, como não roubar nem cometer adultério.
A dúvida principal de Paulo era esta: cumprir esses mandamentos pode fazer com que Deus declare uma pessoa justa? A resposta dele é não. Em Romanos 3:20, Paulo diz que a lei nos ajuda a reconhecer o pecado; ela não apaga o pecado que já cometemos. E, em Gálatas 2:16, ele afirma que somos declarados justos por meio da fé em Jesus Cristo, não por obras da lei.
Na Galácia, a circuncisão era uma questão importante. Alguns queriam que cristãos não judeus seguissem essa exigência da Lei de Moisés. Mas Paulo não estava dizendo apenas que rituais religiosos não salvam, enquanto uma vida moral correta salvaria. Seu argumento é mais amplo: ninguém consegue se apresentar diante de Deus como justo com base na própria obediência. A Lei exige obediência, e todos nós pecamos (Gálatas 3:10; Romanos 3:23).
Isso não significa que obedecer a Deus seja inútil ou que seus mandamentos sejam ruins. Significa que obedecer não é uma maneira de conquistar o perdão de Deus. A lei mostra o que é certo e revela onde falhamos; quem nos salva é Jesus. Por isso, Paulo diz que a pessoa é justificada pela fé, independentemente das obras da lei (Romanos 3:28). A obediência tem lugar na vida de quem crê, mas vem como resposta a Deus, não como pagamento pela salvação.