Porque o povo de Judá estava tratando a adoração como se bastasse ir ao templo e oferecer sacrifícios, mesmo vivendo de um jeito contrário ao que Deus ensinava. Em Jeremias 7:23, Deus lembra ao povo que queria uma relação verdadeira com ele: que ouvissem suas palavras e vivessem de acordo com elas. Não bastava manter as cerimônias religiosas e ignorá-lo no restante da vida.
Jeremias deu essa mensagem diante do templo em Jerusalém. Muita gente acreditava que, por ter o templo ali, a cidade estaria segura. Mas Deus apontou o que acontecia fora dali: havia roubo, injustiça, idolatria e outras práticas que ele já havia condenado. O povo entrava no templo e depois continuava fazendo as mesmas coisas. Por isso, Deus avisou que o prédio não poderia protegê-los enquanto se recusassem a mudar de vida (Jeremias 7:1-11).
A frase “eu serei o seu Deus, e vocês serão o meu povo” fala da aliança que Deus havia feito com Israel. Ele já tinha libertado aquele povo do Egito e os chamado pra viver como seu povo. Ao dizer “ouçam a minha voz”, Deus não estava pedindo obediência de estranhos pra só então se aproximar deles. Estava lembrando a Israel como devia viver nessa relação: confiando nele e seguindo seus caminhos (Êxodo 19:4-6; Jeremias 7:23).
Isso não significa que os sacrifícios fossem errados. O próprio Deus havia dado instruções sobre eles. O problema era usá-los como substitutos da obediência. Um sacrifício não corrigia a injustiça de quem não queria parar de praticá-la. Por isso, a mensagem de Jeremias é tão direta: Deus não queria que o povo apenas parecesse fiel durante o culto; queria que o escutasse também nas escolhas de cada dia (Jeremias 7:5-7, 21-26; 1 Samuel 15:22).
Pra nós, há uma distinção importante. Jesus não ensina que conseguimos nos tornar povo de Deus por obedecer perfeitamente. Somos recebidos por Deus por meio da fé em Cristo, não por merecimento (Efésios 2:8-9). Mas essa fé não nos deixa indiferentes ao que ele diz. Jesus chama seus seguidores a ouvir suas palavras e colocá-las em prática; o amor por ele aparece também na disposição de obedecer-lhe (Mateus 7:24-27; João 14:15).
Assim, a ordem em Jeremias 7:23 não é um convite pra trocar a fé por uma lista de regras. É um chamado pra não separar as duas coisas: confiar em Deus e escutá-lo de verdade. Era justamente essa separação que o povo de Judá estava fazendo — e que Deus, por meio de Jeremias, mandou abandonar.