João começa seu Evangelho falando do momento em que tudo começou. Mas ele não diz que o Verbo *passou a existir* naquele momento. Diz que o Verbo já existia. Essa é a diferença principal: antes de haver mundo, o Verbo já estava lá (João 1:1).
Poucos versículos depois, João nos ajuda a entender quem é o Verbo: ele fala daquele que se tornou humano e viveu entre nós — Jesus Cristo (João 1:14). Por isso, dizer que o Verbo estava no princípio é dizer que Jesus não começou a existir quando nasceu de Maria. Seu nascimento foi o momento em que ele veio ao mundo como ser humano, não o começo de sua existência.
João também diz que todas as coisas foram feitas por meio dele e que nada do que foi criado veio a existir sem ele (João 1:3). Assim, o Verbo não faz parte das coisas criadas: ele já existia quando a criação começou e participou dela. A abertura do Evangelho lembra Gênesis 1:1 justamente por isso. Gênesis conta que Deus criou tudo; João mostra que Jesus estava presente e atuava nessa criação.
Há ainda uma parte importante da frase: o Verbo estava com Deus e era Deus (João 1:1). João não está dizendo que Jesus é o Pai. Ele distingue os dois ao dizer que o Verbo estava com Deus. Ao mesmo tempo, afirma que o Verbo era Deus. As duas coisas importam pra entender quem Jesus é: ele não é apenas alguém enviado por Deus, mas também não é a mesma pessoa que o Pai.
Por que João o chama de “Verbo”, ou “Palavra”? Porque, em Jesus, Deus se dá a conhecer. João explica que o Filho revelou o Pai (João 1:18). Isso combina com o que seu Evangelho passa a mostrar: ao ouvir Jesus, ver como ele vive e conhecer o que ele fez, entendemos melhor como Deus é.
Então, a resposta é esta: “o Verbo estava no princípio” significa que Jesus já existia antes da criação. Ele não foi criado; todas as coisas foram feitas por meio dele. E esse mesmo Jesus veio viver entre nós pra revelar Deus e nos dar a possibilidade de crer nele e ter vida em seu nome (João 1:14; 20:31).